Enquanto a gente discute por 2 horas na tv se Pablo é “o” ou “a”, muitas coisas “irrelevantes” acontecem a nossa volta. No país onde se proíbe o canudo pela natureza e se joga toneladas de lixo por segundo no mar, nada é assustador.

Mas essa me assustou no carnaval.

Você sabia que centenas de famílias deixam de administrar os remédios de seus idosos na semana anterior ao carnaval para que ele vá em estado de internação a um Pronto Socorro público na sexta-feira, fique sob observação e “libere” a família para pular carnaval?

Sabia que centenas de mães levam seus filhos e os abandonam lá alegando algum problema de saúde e só voltam na quarta-feira de cinzas, impedindo o hospital de dar alta a uma criança sem acompanhamento e não conseguindo contato com os pais nos dias seguintes?

Que existem diversos idosos com alzheimer nas ruas vivendo como indigentes porque as famílias pegam o dinheiro do governo para o tratamento e usam para seu bem estar enquanto o idoso é abandonado e não sabe nem contar quem é, de onde veio e pra quem ligar?

Que nenhuma dessas pessoas sofre qualquer tipo de punição e ainda paga o tratamento de seus “doentes” durante o carnaval com o seu dinheiro?

Que milhares de pessoas ficam sem atendimento porque alguns dos leitos estão ocupados pelo paciente boicotado pela própria família em nome dos dias de folia?

Tem mais. São as três populações vulneráveis: criança, idosos, portadores de necessidades especiais (principalmente cognitivas). Portadores de necessidades são levados a desidratação para que haja uma internação na véspera das festas, acredita?

Eu não sabia que havia tanta gente capaz disso. Não me refiro a casos isolados, o relato que ouvi é que isso é algo tão comum que os pronto socorros do governo se preparam antes das festas para receber esse aumento de “doentes” abandonados pelas famílias que “precisam” viajar e curtir.

Mas isso talvez não seja urgente ou importante. Voltemos a programação normal.

“Afinal, video game é ou não ser o culpado pelas vítimas de Suzano? Quais transtornos nossos filhos sofrem quando não tem seu refrigerante favorito no almoço? Sexo entre 4 pessoas da mesma família pode? Ou é só mais um preconceito bobo da sua cabeça? Vamos pro intervalo rapidinho e já voltamos com a mulher que é vítima de preconceito e não consegue emprego só porque não toma banho, não corta o cabelo e optou por ter uma tatuagem de uma vagina no pescoço”.

Isso sim é prioridade.

RicaPerrone

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