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Vergonha!

Eu vi muitas vezes os nossos times ganharem dos europeus e serem tratados como “surpresa”. Vi, e lamentei.  Hoje, no pior momento da história da mídia esportiva brasileira, somos os campeões do mundo de clubes, os campeões (quarta vez seguida) da Libertadores, campeões das Confederações goleando Itália e Espanha, alem de termos na lista de melhores do mundo um goleiro, dois laterais, dois zagueiros, um meia e um atacante.

Temos o jogador mais badalado do mundo no momento. E temos isso tratado como uma crise.

Crise há. E é de identidade, gravíssima! Mas gerada muito pela péssima influência que a despreparada mídia esportiva tem sobre o produto que comercializa.

Sim, comercializa. Jornalistas esportivos são intermediarios de um entretenimento. Não aceitam isso por falta de preparo, falta de noção dos departamentos de uma empresa de comunicação.  Mas são.

O endeusamento ao futebol europeu fez o incrível caminho do futebol mais copiado do mundo ter chegado lá e o nosso ter copiado o deles. Ou seja, imitamos os vices, eles o campeão.

E então, diante de um ou dois times num continente inteiro, tratamos o nosso futebol como um lixo. O deles, genial.

Senhores, qualquer imbecil que não tenha um empregador sustentado pelo direito de transmissão do campeonato espanhol sabe que o Santos joga mais bola que o Levante, o Getafe e o Almeria.

Nenhum destes times toma 4×0 em 30 minutos sem passar do meio campo contra o Barcelona em jogo válido. Imagina em amistoso.

Assim sendo, há um motivo além da diferença técnica, que sim, neste caso, é grande.

Estamos falando do que há de melhor entre 50 países de um continente contra um time que hoje não fica entre os 12 primeiros do nosso campeonato nacional. Mas, infelizmente, até pra isso somos covardes.

Comparamos a soma de 50 paises com o nosso. E ainda assim, discutimos qual melhor futebol.

Perde. Faz parte. Foda-se.

Outro dia o São Paulo foi la no Camp Nou e meteu 4 no Barcelona. Ninguém de lá deve ter colocado o Barcelona como lixo e nem comprado os direitos de transmissão do Brasileirão pra dizer pro povo local que foda era o Flamengo, não o Real e o Barça.

Porque, talvez, neste aspecto, sejam mesmo melhores do que nós. Não são tão burros pra vender um produto.

O Santos está neste momento tomando de 4. Escrevo no intervalo, puto! Revoltado.

Porque olham pro Barcelona como crianças em seu playstation. Porque tem medo! Acham que a camisa do Barça quer dizer algo mais do que a do Pelé.

E não, não quer.

São gigantes do futebol mundial, igualmente bicampeões do mundo.

Diferença técnica de momento é uma coisa. Medo e falta de vergonha na cara é outra.

Nós, jornalistas, temos culpa. Os clubes tem culpa. Os jogadores tem culpa.

Mas nós, da mídia, somos os maiores criadores deste mito.

Liga a tv, assista por meia hora, veja a vibração dos profissionais de futebol do Brasil com a derrota do Santos e tente entender a revolta com a demissão do ótimo Mauro Beting por crise na emissora.

É fácil. Qualquer estagiário que nao goste de futebol entende.

Mas aqui, quem é que não gosta de futebol?

Exaltar um grande time é uma coisa. Usa-lo como motivo de menosprezo aos nossos, ou endeusar o que fazem hoje e faziamos ha 30 anos me parece complexo de vira-latas.

Salve Nelson Rodrigues.

Que vergonha.

O Santos escreve neste momento uma das páginas mais vergonhosas da nossa história. O dia em que o futebol brasileiro foi encontra com um clube europeu pra pedir autografo e não pra jogar futebol.

Perdemos. E juro, o jogo foi o que de menos importante perdemos nesta sexta-feira.

abs,
RicaPerrone

 

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