Joãozinho é um menino levado. Mais do que levado, arrogante e quase burro. Mas ainda assim, só um menino tentando acertar.

Ele veste qualquer coisa, não faz cerimônias para quase nada, mas é bastante radical com relação a sua alimentação.

Joãozinho não come palmito.

A mãe respeita o pequeno João. Gosto é gosto. Embora as vezes ela acha que seja preciso, ele acredita que deve se alimentar de outras coisas.

Mas as coisas em casa foram ficando difíceis. O dinheiro faltando, o pai desempregado, a rua violenta, a falta de boas perspectivas foi deixando o cardápio cada vez menor e o clima cada vez mais hostil.

Outro dia a mãe disse a ele: “Filho, tem frango, palmito e pizza. O que você quer?”
– Qualquer coisa mãe, eu só não como palmito.

Joãozinho era fácil de agradar. Mas teimoso. E se um dia ele brigou pra dizer que não comeria palmito, dificilmente um dia ele comerá. Seu ego é maior que a fome, embora a fome seja necessidade.

Dia após dia ofereceram a ele diversas opções, e ele aceitava qualquer porcaria que lhe dessem, menos palmito.

Um dia seus pais quebraram. E no meio de uma discussão acalorada, a mãe fazia a janta e colocou na mesa um prato de palmito na frente do filho.

Joãozinho então olhou e revoltado disse: “Não! Isso não! Você sabe que não!”.

A mãe já sem paciência disse que era o que tinha. E ele seguiu teimando que não comeria o palmito. Até que sua mãe foi muito franca com ele.

– Joãozinho, é palmito ou merda. É o que tem.

E então, Joãozinho? Qual vai ser?

Abs,
RicaPerrone