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Sobre Abel e a Chape

“A violência no futebol”. “A homofobia no futebol”. “O machismo no futebol”.  “O racismo no futebol”. Talvez essas sejam algumas das frases mais fáceis de se encontrar sobre “futebol” hoje em dia.

Mas a violência é social. Reflete-se no futebol. A homofobia idem. O machismo, mais ainda. O racismo, um problema mundial, até mais grave em países mais civilizados que o nosso. Quem diria?

Tudo que há de ruim no futebol é reflexo do planeta, não o contrário.

E o contrário, então?

 

E se o mundo fosse como o futebol?

Talvez a Copa do Mundo explique isso.  É seguramente o maior evento, o mais pacífico, onde mais se confraterniza, único onde religiões e países se toleram independente de qualquer coisa.

O sucesso e a loucura pelo futebol são absolutamente simples de serem explicados a quem o ama. Impossível pra quem vê de fora e nos considera um bando de malucos.

Não é um esporte. Esporte é basquete, vôlei, natação. Com todo respeito, o futebol é outra coisa.

Futebol une. Futebol cria laços entre pais e filhos, carrega o DNA de uma família, move pessoas numa mesma direção pela deliciosa ilusão de nos fazer sentir-se parte da vitória ou da derrota.

Temos nossos bandidos de estimação, é claro. Quem não tem? Mas até uniforme eles usam. É só não se misturar. Já pensou se os criminosos do mundo usassem uma camiseta indicando quem é quem?

Poxa, ninguém seria assaltado mais.

Somos maioria. Demos certo ao ponto de criarmos uma língua para surdos, mudos e de todo e qualquer idioma. Aponta pra marca do pênalti tu vai ver se alguém tem dúvida do que você está dizendo?

Aceitem. Os que não amam futebol são pessoas estranhas, não nós.

Nós somos os caras que fazemos terapia aos domingos no estádio e não numa sala fechada com alguém.  Nós fazemos festa, nós estragamos e salvamos semanas por algo que não temos controle. Nós usamos o futebol de pretexto para juntar amigos, família e ser patriotas, mesmo que a cada 4 anos.

Nós somos loucos. Mas nós somos bons.

Nós aplaudimos, xingamos, perdemos o controle, mas em nossa enorme maioria, somos capazes de atos que o ser humano imune ao futebol nunca foi.

Ira e EUA trocando flores? Só no futebol.

Chapecoense, Abel Braga e a torcida do Sport…  o mundo precisa do futebol. Muito mais do que o futebol precisa do mundo.

Porque se o mundo acabar, tanto faz. Mas se o futebol acabar um dia, o que será do mundo?

abs,
RicaPerrone

 

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