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Soberanos decadentes

Pra maioria das pessoas o futebol se resume a semana passada. E por ela, o Flamengo está em queda livre e o Luxemburgo idem. Gigantes incontestáveis, ambos precisam se reerguer. O casamento pode resultar no desastre absoluto de ambos ou na confirmação de suas virtudes.

O Flamengo precisa de Luxemburgo e ele do Flamengo. O futebol brasileiro precisa do Flamengo e hoje implora por treinadores que gostem do jogo bem jogado. Ou seja, é uma aposta justíssima.

Serei repetitivo se disser o que penso do Luxemburgo em mais de uma linha. Pra mim, sendo “manager”, “marketeiro”, “empresario”, “jogador de poker” ou o que mais inventarem sobre, me limito a considera-lo o melhor técnico que vi trabalhar neste país. Só.

Decante é um termo meio injusto pra quem, há 2 anos, deixou o Palmeiras invicto e praticamente liderando o Brasileirão que o queridinho da mídia conseguiu perder em seguida.

O Santos 2009 não lhe oferecia nenhuma chance de fazer algo especial, e o Galo 2010 foi um trabalho ruim mesmo, que merece criticas e ponto final.

Como todos, Luxemburgo não acerta sempre. Como poucos, acerta muito.

A sua “decadência” está atrelada ao surgimento de Roths, Muricys e Carpeggianis, retranqueiros de ontem que hoje são solução. O futebol mudou, pra pior, mas mudou. Luxemburgo precisa se adaptar a ele e se tornar mais um dos mediocres técnicos do 1×0 em bola parada ou pode, ainda, insistir em seus times espetaculares?

O tempo dirá, e até agora tem dito que ele precisa se adaptar ao futebol muricystico criado pelo Parreira. Espero que não o faça.

Na Gávea encontrará um clube zoneado. E dai? Foi campeão em outras diversas zonas por aí.

Encontrará um time técnico e de boa qualidade, que é o que ele gosta. Mas não adianta achar que ele vai fazer o Flamengo voar em 4 jogos, nem mesmo em 4 meses. Ele vem pra apagar o fogo, arrumar a casa e tentar, em 2011, fazer um Flamengo competitivo e com cara de time, coisa que em 2010 ninguém fez.

Confio neste sujeito, ainda mais quando ele está mordido pra provar que não é “decadente”. Confio ainda mais quando vejo que, demitido do Galo, adotou um discurso humilde reconhecendo a fase, os erros e a culpa. Fossem outros, adorados por aqui, diriam que é a CBF, o gramado, o STJD e olhe lá.

Desejo toda sorte do mundo aos dois. O técnico que revolucionou o mercado nacional, que inventou um novo formato pra profissão e que valorizou todos os seus companheiros no cargo. Um clube que dispensa qualquer apresentação ou explicação de importância no cenário nacional.

Que voltem aos seus lugares: o topo.

abs,
RicaPerrone

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