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Ser humano; Ser chato

O ser humano é preconceituoso. O ser humano erra, se emociona e não controla o que lhe dá prazer ou não.

O ser humano é vingativo, vaidoso, raramente honesto consigo mesmo.

O ser humano se sente representado quando alguém de maior destaque promete o representar.

No esporte, onde só um vencerá, é ainda mais forte a sensação de ter na vitória alheia uma dose de participação.

Não corremos com Senna, não sacamos com Guga, nem batemos com Popó. Mas quando terminava, nos sentiamos como parte daquilo.

E o esporte é isso. Uma forma genial de envolver o ser humano e suas emoções em torno de um evento.

Se Anderson lutou “pelo Brasil”, pelo dinheiro, pela honra ou pelo ibope, pouco me importa. Ele me fez acreditar que lutaria por mim, e isso basta.

Ser humano acredita quando quer acreditar. E faz bem, desde que isso lhe traga um prazer.

Trouxe. Milhares de nós estivemos acordados esperando a hora de ver um brasileiro arrebentar a cara de um americano que, por marketing ou não, nos ofendeu.

O chato diz que “não se sentiu ofendido”, afinal, sabemos, o chato é imune a sentimentos de mortais. Ele é fodão.

O ser humano tem prazer em ver um soco na cara. Ele sente vontade de dar este mesmo soco em seus desafetos e por mais feio que seja este sentimento, existe. Tanto existe que mesmo terceirizado, faz sucesso e causa alívio.

Hipocrita daquele que disser não se sentir atraído por uma briga, uma discussão ou uma boa disputa. Sempre causou curiosidade, mesmo que nosso discurso seja contrário.

Anderson lutou exalando patriotismo na tv. Os chatos discursam que “é mentira”, “é marketing”, “comigo, não”.

Nós, mortais, vibramos, torcemos e queremos “vingança”.

Somos tolos, é verdade. Acreditamos na ceninha, nos envolvemos num evento esportivo que só deixará 2 pessoas ricas.

Mas somos seres humanos, livres, claros e transparentes ao ponto de se deixar levar pelo prazer de acreditar estar vivendo algo incomum.

Tolo é o chato, aquele cético metido a diferenciado que analisa toda e qualquer situação com olhar realista e pouco interessante.

Pouco interessante que vem do latim, “poucointeligentius”.

Porque se for sinal de inteligencia analisar paixão, se esquivar de emoção e fingir ser uma ilha de sabedoria em meio a pobres mortais, prefiro ser burro.

Anderson lutou por nós. Sendo verdade ou mentira, é no que quero acreditar.

Me faz bem, me fez feliz, me fez gritar na janela e pular do sofá.

É do Brasil-sil-sil!

Não?  Tudo bem. Foda-se.

abs,
RicaPerrone

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