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Saudades

Há um ano eu sentia dor. Muita dor. Parecia que tinham tirado a única “coisa” que eu podia confiar 100%. O único ser que seria leal a mim com ou sem dinheiro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

O carinha que vivia nos meus pés, onde eu fosse. Que me recebia pulando, mesmo numa segunda feira de chuva cheia de boletos pra pagar.

Não havia data, hora, lugar. Meu sorriso mais fácil era encontrá-lo.  Minha risada mais sincera era olhar pra ele com um brinquedo na boca me pedindo pra brincar em meio a uma conferência de negócios que fazia online.

Nenhuma noção de limites, responsabilidade, horário.

Hoje faz um ano que meu amigo Fred, seu veterinário, me mandou a mensagem dizendo que “acabou o sofrimento dele”. Começava o meu.

Me mudei de casa, não suportei ficar onde eu passava o dia com ele. Não aguentava entrar naquele apartamento vazio. Um beagle não é um cachorro qualquer. Ele preenche tudo, o tempo todo.

Chorei, as vezes ainda choro. Tenho uma saudades infinita, uma sensação de que um pedaço irreparável da minha vida se foi. Mais do que isso, confesso: minha terapia acabou.

Era ele. Eu esquecia do mundo brincando com ele. Saia de casa pra passear com ele e o único ser que me conheceu de verdade na intimidade foi ele.

Passados 365 dias, achei que ia estar doendo. Mas agora é diferente. Dói, mas é uma dor quase boa.

Vejo as fotos, brinco com beagles na rua, conto as histórias dele morrendo de rir. Meu marginalzinho virou assunto. Memória. De alguma forma, esteja lá onde estiver, continua aliviando meus dias. Basta lembrar dele e um sorriso aparece.

O problema é que agora aparece junto de uma lágrima. Mas ainda aparece.

Depois do texto que fiz quando ele morreu passei a receber uma mensagem por dia de alguém que perdeu o cachorro me perguntando “como faz isso parar de doer?”.

Não faz. Esquece. Sempre vai doer.

Mas sempre vai ter valido a pena.

Saudades, filhote! Te amo!

RicaPerrone

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