Remédios são drogas. Cocaína é droga. A maconha é droga para cura e diversão. O termo “droga” é amplo, e o Vasco sabe bem disso.

Drogas curam, destroem. Drogas viciam, nos prendem, aliviam da dor e geram outras.  Drogas não seriam necessárias no mundo ideal, mas são. Todos nós, um dia, usamos uma droga.

Dizer agora que está livre dela que ela nunca lhe fez mal é covardia. E mais covarde ainda seria também ignorar quando ela o ajudou.

O remédio é amargo mas necessário. O uso constante dele cura uma doença e causa outras. A droga muda a dependência, mas segue no mesmo paciente.

O Vasco foi a paixão do Eurico, virou o trabalho e um dia virou seu refém.  Nessa frase vemos um puro torcedor, um profissional e um sujeito egoísta e sem limites. Eurico foi as três coisas e uma não anula outra, por incrível que pareça.

Viciado em tratamento o Vasco não pode confundir respeito com saudades. Eurico foi muito importante, um remédio necessário em doses cavalares num passado amador do nosso futebol.

E foi uma droga pesada para um momento mais profissional onde o clube precisava se livrar do vício.

Até mesmo neste passo dado recente para tal houve a última dose de Eurico numa eleição vergonhosa que gera até hoje dúvidas sobre a real intenção dos envolvidos.

Mas hoje, e só hoje, foda-se tudo isso.

Morreu o vascaíno. O guardião da honra cruzmaltina, o folclore e um dos últimos exemplares que tínhamos de quando o futebol era mais do que “trabalho” pra eles.

Descansa em paz, Eurico. Acho que você seria um grande contador de histórias se não tivesse tentado se manter nela por tanto tempo a qualquer custo. E acho também que essa história não seria tão rica e gloriosa sem você ali.

RicaPerrone

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