Talvez o torcedor seja fácil de entender. Ele quer que ganhe, só assiste o time dele e nada que não for uma vitória do seu time é válido ou digno de elogios. Essa realidade é cada vez mais perturbadora na medida em que não ha “o jogo da tv”. O torcedor vê TODOS os jogos do seu time e portanto não é “forçado” a ver quase nada dos outros.

O mesmo torcedor termina o jogo e não ouve mais comentários superficiais e nem gerais sobre a rodada na TV. Corre pra ouvir o influencer torcedor do mesmo time que ele dizer tudo que ele gostaria enquanto torcedor.

Nessa nova era o que mais se tem é o nicho. E o que de pior acontece é a desinformação com voz.

Há 15 anos o Joãozinho podia não saber nada sobre política que ninguém ligava. Hoje ele é “Jonny Esquerda”, tem 40 mil seguidores e fala as mesmas merdas que falaria quando não tinha onde se passar por um entendido.

O futebol é a mesma coisa. Cada dia se vê menos futebol, mais o seu time e mais se opina sobre os outros. Logo, a opinião é bastante assustadora pra quem de fato assiste o todo.

Diniz e Sampaoli não tem os resultados mais incríveis, mas também não tem times incríveis. O que os dois tem em comum é uma direção.  E os clubes que sustentarem isso diante da ignorancia da torcida terão feito algo de fato diferente.

Na mídia chega a ser engraçado. Os mesmos que “derrubam treinador” são os que exaltam os trabalhos a longo prazo sem resultados no começo de times europeus que chegaram a algum lugar.

Santos e Fluminense não tinham perspectiva alguma em janeiro. Hoje são dois times sem grandes nomes que fazem as pessoas comentarem, assistirem e gostarem.

Há um conceito. E toda vez que você sonda o Dunga, liga pro Luxemburgo e fecha com o Abel você está deixando claro pro mundo que não tem A MENOR idéia do que quer. Sampaoli e Diniz sabem exatamente o que querem.

Nessa foto acima há outro cara que sabe o que quer. Embora tenha se traido um pouco desde a Copa, quando teve tudo pra ser demitido do Corinthians foi mantido. O resultado nós sabemos.

Trabalho bem feito começa com convicções. Ou você sabe o que está fazendo, pra onde quer ir e no que acredita, ou vai fazer mais do mesmo.

Convenhamos que no futebol brasileiro o que menos precisamos é mais do mesmo.

Diniz e Sampaoli representam hoje uma direção que o futebol brasileiro não tem. E portanto, são elogiáveis, importantes e referências. Se não pelo seu gosto tático, pela coragem.

RicaPerrone

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