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Obrigado. Muito obrigado!

Não tive a chance de te entrevistar enquanto jogador. Hoje, no dia em que se aposenta, fico com um gostinho amargo de saber que, mesmo que venha a acontecer, será com o ex-jogador, não com o gênio em atividade.

Pouco importa. Eu tenho alguns valores na vida e a base de todos eles é a gratidão. Por isso, devo a você um “muito obrigado”, Ronaldo.

Não porque você tenha jogado no meu time, coisa que não chegou a fazer. Nem por ter me dado uma entrevista ou uma camisa após o jogo. Mas por ter sido parte fundamental do meio que vivo desde que entrei nele.

Foi em 1997, quando você não jogava. Voava.

Desde então, nenhum dia da minha vida profissional se passou sem que seu nome estivesse num jornal, na tv ou num site. Seja pela contusão, pelo golaço, pela transferência ou por algo dito, lá estava o Ronaldo.

Em 2006, que nem é tão distante, cansei de brigar por você no meu humilde blog, que não tinha nem 1% das visitas que tem hoje.

Em 2009, quando todos riam da sua chegada ao Brasil com aquela barriguinha, escrevi que não tinha motivo pra desconfiar da sua recuperação. Como sempre, ou quase sempre, você me deu razão.

Mais do que razão, pois no futebol ela não serve pra nada, você me deu alegrias.

Eu sou um fanático torcedor da seleção brasileira, um dos poucos que depois de ser jornalista continuou assim. E assim sendo, devo algo ao maior artilheiro da história das Copas.

São quantos? 15? Pareceram mais.

Devo, inclusive, uma Copa. Aquela em 2002, onde novamente alvo de desconfiança o “agora acabou” virava “o cara é foda” em questão de semanas.

E era, ainda é, será sempre.

É fácil ir na televisão e ironizar um sujeito como você. Duro é ser você.

Duro é aguentar todas as cirurgias e contusões que você aguentou e ainda ser chamado de “gordo” quando todos sabem que não há nenhuma forma possível de manter o peso com exercicios iguais os dos outros, se não, estoura.

E convenhamos, quem aqui sabe o que é ter o que você tem e não poder fazer uso? Estar sempre sendo avaliado, mesmo sendo um vencedor inquestionável.

Futebol e “inquestionável” não andam juntos, Ronaldo. Você sabe.

Até ontem você era o “gordo que eliminou o Corinthians”. Mas estes caras vão ficar velhos, e lá na frente, quando forem gordos, dirão aos seus netos: “Vocês não sabem o que é futebol…. Eu vi o Ronaldo jogar”, orgulhosos.

Eu me permito sentir este orgulho piegas já aos 32 anos, um pouco mais novo que você.

Minha carreira inteira andou com você sendo pauta. E hoje, quase de repente, você sai de cena.

Como você, a camisa 9 da seleção busca uma nova alternativa. Você a partir de agora, ela desde que você partiu.

Não temos desde Ronaldo nada parecido. E sem você, apenas no imaginario e sem lances atualizados toda semana, sentiremos ainda mais falta de todo seu talento, carisma e competência.

O cara que não desiste, o cara que cai e levanta. O magro que engordou, emagreceu, brilhou, apanhou, cansou.

Boas férias, Ronaldo.

E muito, muito obrigado! Nós, jornalistas, raramente paramos pra pensar o quanto é valioso poder “julgar” um gênio por tanto tempo.

Jante em paz hoje a noite. Ninguém mais vai cuidar do seu peso. Você será, enfim, problema só seu.

E você merece.

abs,
RicaPerrone

E essas nem entraram….

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