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O pêlo, o ovo, o Ganso

Por incrivel que pareça acho que a mídia ainda não conseguiu lidar com a possibilidade de não haver nada “absurdo” numa negociação.  Assim, sem ter o que condenar, ela tenta cravar o final pra dizer que acertou.

Negócios não são como a relação simples de funcionário/patrão de 99,6% das pessoas. Tenho a oportunidade de conhecer este outro lado por ser, além de jornalista, empresário (não de jogador).  Eu nunca noticiei nada como fato antes de estar assinado, nem mesmo uso o “fechou”, “ja é do…” ou “a novela acabou”.

Entendo a visão simples da coisa, afinal, pra 99,6% das pessoas existe o certo e o errado. O que paga (vilão) e o que recebe (coitadinho).  Mas num acordo entre 4 partes a possibilidade disso ter um fim antes de assinar é nula.

Sempre, em qualquer negociação, haverá cada lado tentando o melhor pra si. Quanto mais em cima do prazo, mais o Santos vai pedir, mais o SP vai ceder, idem pra DIS, que quer leva-lo pra lá.

Se você, leitor, fosse presidente do Santos, faria rigorosamente a mesma coisa. Se fosse do SPFC, talvez tivesse tentado resolver a vista semana passada. Não fez, e agora, na pressa, corre um risco.

Tem 4 lados, eles são claros, simples, e sobra concordar ou não com cada atitude. Mas não cabe chutar decisões finais, nem tentar taxar alguém de desleal ou desonesto.

O Santos fez, manteve, assinou e pagou por Ganso na expectativa óbvia de um dia ver uma bela grana nas mãos e, enquanto isso, ver futebol em campo. Não viu o futebol e agora, quando os empresários querem vender e ele não, é forçado pelo jogador a concordar com um valor abaixo do sonhado e acordado verbalmente.  Jamais o projeto foi pra vende-lo pro Brasil. Essa multa nunca foi o objetivo, tanto que no mesmo dia que Neymar recebeu a oferta pra multiplicar seu salário por 5, Ganso recebeu rigorosamente a mesma oferta.

Recusou, é seu direito. Ficou 2 anos sem jogar nada nos DMs da vida e andando em campo quando lá estava. Ainda assim, recebendo em dia e com a proposta “do Neymar” na mesa, se disse desvalorizado.

É direito dele. Acho de uma ingratidão absurda! Mas é direito de qualquer um ser ingrato.

Assim sendo, pelo óbvio motivo da DIS ter comprado 55% de um “passe” que deixa de existir dentro de 2 anos, ela PRECISA vender o Ganso. E por precisar disso, fez com que ele concordasse em sair.

O Santos, porém, não quer que ele saia. E se você não quer vender seu carro, não será vendido.

Ah, mas se meu carro falasse seria diferente. Seria, mas até onde sabemos, o Ganso não fala. Falam por ele.

Instatisfeito, quer sair. Esperando o retorno do que planejou ha 2 anos, o Santos não quer vende-lo pra um rival dentro do país e por 23 milhões. Sonhou com 50, o dobro.

O SPFC, que não tem nada com isso, foi lá e as claras tentou comprar. No seu direito, que cabe você gostar ou não, mas não de colocar num patamar irregular, ilegal, nem nada. É um direito do clube querer um jogador, mesmo que ele esteja bem e feliz no Santos.

Só que amanhã, no SPFC ou no Santos, continuará sendo um negócio. A DIS não está fazendo isso pra ele JOGAR no SPFC. Está fazendo isso para ele PASSAR pelo SPFC e ser vendido. É o óbvio do óbvio.

Bom pro Tricolor, que pode recupera-lo e ter até mais do que os 23 paus na mão, além de um jogador diferenciadíssimo em campo por alguns meses.

Eu, pessoalmente, não suporto a idéia de um jogador formado num clube se colocar na situação de “aqui não jogo mais”.  Até porque, não fosse o tal clube, ele talvez não pudesse escolher nem o almoço. Vai além da relação empregado/patrão. Vai além de um acordo de negócio, mas não torna nada disso ilegal, digno de julgamentos ou condenações.

SPFC, Santos e DIS são 3 empresas buscando lucrar com um produto. Ganso é o produto.

Desta forma, não há nada de irregular nem na tentativa do Santos em zerar uma dívida com quem o está “forçando” a perder seu 10, nem do Ganso em sair, nem do SPFC em querer.

Parece injusto, feio, etc. Mas só parece. Neste meio, como em qualquer outro, é apenas um negócio.

O que se combina aqui, muda ali com uma nota de 100 a mais na mesa. E hoje, as 14h41, com a proposta do SPFC aceita, se um clube telefonar, der os 23 e acertar com o jogador, ele será vendido as 15h para este clube.

São negócios. E mantenha assim por coerência, pois se passar disso, o sãopaulino não pode querer leva-lo, o santista deve querer demiti-lo e a DIS, que manda no produto, fica a ver navios.

Então, sem amor. Só nos fatos.

abs,
RicaPerrone

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