Ser brasileiro, depois da internet, é achar um motivo pra criticar qualquer coisa. A TV é ruim, o time é fraco, o apresentador é cego, o ator é viado, e por aí vai. Obviamente não seria diferente com o mais importante time de futebol do mundo: A seleção. Virou modinha, das mais irritantes e injustificaveis, diga-se,  menosprezar a seleção.

Mas, como sempre, o oportunismo e a incoerencia imperam quanto o assunto é futebol. Neste caso, mais ainda.

A seleção era a alegria do povo. Isso quando não ganhava. Passou a vencer e, de repente, passou a ser obrigação. Ou ganha a Copa, ou foi mal na Copa. Como se fosse obrigação do time vencer sempre, e não correr e fazer seu melhor.

Eu também me irritei em 2006. O time foi covarde, e isso irrita qualquer torcedor. Mas, daí a atropelar as coisas vai uma diferença enorme.

“Não torço mais pro Brasil”, ” A seleção do Teixeira”, “A seleção da Nike”, entre outros, são alguns dos argumentos pífios que ouvimos por ai. Dá até pena, com todo respeito.

Quer deixar de torcer pra ser diferente? Ok.  Direito de cada um. Agora, argumente de forma simples: “Eu não quero torcer pro Brasil pra dizer que sou diferente”. Pronto, fica mais bonito.

A comparação clube/seleção é outra patética. “Gosto muito mais do clube do que da seleção”. E dai? Quem perguntou isso? Quem comparou isso? Eu gosto mais de churrasco do que de pizza, e por isso deixo de gostar de Pizza? Eu hein…

Agora, vamos ao principal argumento do festival “eu sou diferente”.

Deixa de torcer pro Brasil porque ele é do Teixeira? E o presidente do seu time, que reelege ele ha 20 anos? Não deixa de torcer porque?

Deixa de torcer porque não gosta do Mano? E se o Leão for pro seu time? Vai mudar de time?

Seleção da Nike? E seu time não tem patrocinador de camisa, não, querido? Acha que ele não faz algumas ações para agradar a marca?

Balcão de negócios então, chega a ser divertido. Todo clube tá cheio de jogador em campo porque o empresário é amigo do presidente. E aí? Deixou de torcer pro seu time?

Para com essa viadagem. Soa como oportunismo.

Se perde, “a seleção do teixeira”. Se empata, “A seleção do Mano”. Se ganha, “A nossa seleção”.

Aí você xinga, reclama, diz que “nem liga”. Mas quando chega  a Copa, você para seu trabalho, se veste de amarelo e vai se fazer de patriota na frente da TV?

Deixa de frescura.

É a seleção brasileira, vista aquela camisa quem for.

E daqui 2 semanas você vai estar lá na tv, comendo unha pelo “time da cbf”. Ou, de forma menos marrenta, pela sua seleção.

Pra cima deles, Brasil!

Os jogadores passam, os dirigentes passam, a camisa fica. Pro clube e pra seleção.

Quer ser diferente? Tenha personalidade.

Quando uma coisa passa radicalmente de especial e desprezivel não é uma tese. É simplesmente “moda”.

abs,
RicaPerrone