Brasileiro é um povo complicado para lidar com sucesso, ídolos, sua história e cultura. Adoramos tudo de fora, odiamos tudo que é nosso. Não valorizamos nada que fale portugues, e quando o fazemos usamos como referência seu sucesso… “lá fora”.

O futebol é o processo mais cruel de todos. No começo queremos que você seja o Pelé, no processo questionamos a vida toda se és mesmo o que parece ser, e no fim fazemos piada e menosprezamos sua queda natural de rendimento. Até que um dia o brasileiro faz o que de melhor pode fazer: morrer.

A morte no Brasil é o melhor evento de uma vida. Você melhora como ser humano, aproxima da família, revê amigos antigos, passa a ser bom no que fazia e seus defeitos são todos relevados. E então, numa contrapartida radical tal qual a negativa que carregou na vida, tudo se equilibra.

Zagallo está vivo. E por isso ainda não é a lenda que deveria ser ovacionada toda vez que sai de casa. Zagallo não devia pagar nem conta de luz. Devia ter uma estátua em cada estado do país, uma avenida em cada cidade.  Em sua casa não devia ter despertador mas sim pessoas para acorda-lo aplaudindo.

Lembre-se. Este mesmo sujeito terminou a carreira sendo menosprezado e debochado pela imprensa que hoje tenta aliviar.

Cá estamos em 2017 vendo um novo Zagallo surgir. Enquanto ele é ovacionado por onde passa, campeão de absolutamente tudo, com uma carreira absurdamente vitoriosa e sendo também disparado nosso treinador que mais deu certo “lá fora”,  o Brasil segue virando as costas para Felipão, que antes da Copa era um ídolo nacional.

90 minutos. Ou melhor, neste caso, 5 minutos. E lá se vão 70 anos de um ídolo.

Repassar a carreira do Felipão não cabe num post. Só em livro. Mas ele foi campeão onde passou, ganhou a torcida onde foi, é um sujeito amado por todos que o rodeiam e trabalharam com ele. E por causa da paixão jornalística pelo “7×1”, vai completar 70 anos com deboche e menosprezo.

Saiu da China tricampeão, como fez onde passou. E a torcida foi ao aeroporto se despedir do cara que, fatalmente, ao desembarcar aqui só encontrará um par de repórteres querendo falar sobre “7×1”.

Ainda dá tempo. Felipão é um patrimônio do nosso esporte, campeão do mundo pela seleção, ídolo de Palmeiras e Gremio. Ícone em Portugal.

Tem pessoas que ultrapassam o avaliável.  São só aplaudidas.  Felipão é um deles. E já está na hora de coloca-lo como tal.

abs,
RicaPerrone