Eu odiava o Natal.

Dos meus 39 anos devo ter passado uns 15 reclamando, relativizando, contestando e tentando evitar o Natal. Não sou religioso, acho sim uma festa meio hipócrita no sentido de juntar pessoas que nem se gostam tanto assim em nome de um Deus que eu mesmo nem acredito.

Mas após tantos anos “perdendo” o Natal e vendo os outros curtirem, descobri que só havia um idiota na história: eu.

Que mal pode haver numa data que, seja lá sob o argumento que for, une pessoas, as faz celebrar, beber, rir, se reunir, se presentear e desfrutar da vida?

Não tem qualquer sentido odiar o Natal. Foi seguramente uma das maiores perdas de tempo que cometi na vida. Não porque eu não tinha razão, mas exatamente pelo fato de querer tê-la.  Era mais fácil não ter e ser feliz do que tê-la e ser o diferente.

A Copa começa hoje. Os discursos sobre “pão e circo”, os relativizadores e os “nem ligo pra seleção” surgem de bueiros para gritar ao mundo que estão ali.  Eles querem argumentos, teses, razão. E juro, talvez até tenham.

Mas não há qualquer argumento aceitável que te faça renegar o prazer único de estar por 30 dias em festa, criando expectativa, encontrando amigos, reunindo família, bebendo e comendo, sorrindo, cantando, torcendo junto de quem sempre foi seu rival, e ainda por cima com uma dose de orgulho que raramente podemos ter de nosso país.

A Copa do Mundo é um Natal esportivo.

Talvez a seleção seja como “Jesus” pra mim. E eu não preciso acreditar nele ou ter qualquer devoção pra entender que é importante pra você, te faz melhor e que nos faz viver algo especial.

Então, se por “Gabriel” ou “Cristo”, tanto faz. Se estivermos felizes, valeu a pena. E não ser feliz sob qualquer argumento é um erro.

Então seja.

Abs,
RicaPerrone

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