Juan deixa o futebol como passou por ele: discreto, vencedor, correto, aplaudido e exemplar.

Um ótimo zagueiro, bom sujeito, de poucas falas, muita bola, poucos clubes, alguns títulos, nenhum muito grande como ele merecia. Mas sábado ele levantou a taça do maior deles.

Alguns jogadores, como Conca, abrem mão da única coisa que levarão da carreira por miseráveis dólares a mais. Outros tem a exata noção do que fazem, o que carregam dali e pra onde vão.

Neste caso se trata de onde veio e não apenas pra onde vai. Juan é cria, é história, orgulho de um clube.

Ele sabe que a partir desta semana não será mais um zagueiro. E pra conviver com isso é preciso carregar um título. Não, não me refiro a Libertadores, Champions ou Brasileirão. Esses títulos muita gente ganha.

Juan é quieto, não vai reivindicar nada. E nem vai precisar.

Ainda não é hora, pois quando se fala em Juan o mundo do futebol vai direto na figura dele. Mas quando um dia surgir, e fatalmente outro Juan existirá, ele poderá ostentar o título que o diferencia.

“Juan do Flamengo”.

O mesmo de quando jogava. Só que agora ninguém pode tirar dele.

Quando você imagina um ídolo no futebol ele está sempre vestindo alguma camisa. Não há ídolo sem clube.

RicaPerrone

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