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O detalhe

Sabe aquele time ajeitadinho, quase pronto, faltando apenas um detalhe?  Então.

O Botafogo vendeu Fellype Gabriel  e achou que tinha perdido uma peça importante. De fato, perdeu. Mas obrigou Oswaldo a dar uma chance a Vitinho, garoto, ousado, que erra muito, mas que joga diferente de todos os caras que tem do meio pra frente no time.

O Fogão era um time quase sempre “de lado”. A bola roda, roda, roda e alguém vai cruzar na área pro Rafael. Ou, pelo meio, uma enfiada de bola do Seedorf.  Até certo ponto, por mais entrosado que esteja, o time ficava meio previsível.

E não seria o Fellype Gabriel o fator de desequilibrio, convenhamos.

Trocando passes você espera o adversário abrir um espaço. O brasileiro não tem a paciência do espanhol (graças a Deus) pra jogar de ladinho 90 minutos. E então, queima a bola.

Vitinho entrou e deu ao Botafogo uma jogada ousada, direta, que quebra uma zaga num drible, coisa que antes não acontecia.  Ele deixou o time mais rápido, sem que ninguém tenha que correr mais por isso.

Quando o Botafogo ataca ele não vai mais obrigatoriamente tocar até encontrar um espaço. Pode arriscar uma jogada no garoto, que dribla e chuta, as vezes irresponsavelmente, até.

Mas é novo. Vai errar. Só vai aprender errando.  Ao torcedor, paciência. Deixa errar. O problema é o grosso em grande fase, nunca o bom jogador tentando se afirmar.

Vitinho mudou o time e deu opção pro Seedorf crescer ainda mais. O seu passe agora pode ser na frente, não mais nos pés. Ele cria, puxa marcação e dribla na direção do gol, coisa que este time do Botafogo não fazia nunca.

Quando não descola um lance de gol, arruma uma bola parada. Ou, pelo menos, um rebote.  O garoto perde chances incríveis de passar a bola, toma “pito” do negão, mas no lance seguinte chuta de novo.

Teimoso?

Não. Confiante. Personalidade. Qualidade, nunca defeito.

Faltava um detalhe. Não falta mais.

É Botafogo pra Libertadores, no mínimo.

E porque não o título?

Gostei demais do que vi no Maracanã ontem. Gostei do que vi na quinta-feira contra o Vitória.

Quem disse que tem que escolher entre ganhar ou jogar bem?

abs,
RicaPerrone

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