É óbvio que não faz sentido, mas dá margem pra lacração. Toda vez que um artista/celebridade/aspirante enxerga a oportunidade de se posicionar conforme a cartilha, ele o fará.

Os 80% deles que discordam ficam mudos. Porque é o Brasil, onde a minoria faz mais barulho que a maioria e onde estar com a maioria causa constrangimento e não segurança.

Inclusão é não te separar. Te fazer especial é esmola. Não seja um mendigo.

O Brasil é o país do canudo proibido. Nada é mais emblemático neste país do que os canudos.

São toneladas de lixo por minuto no mar em toda orla brasileira. Mas o canudo, não! Esse não!

Tem gente com fome, gente na fila do hospital há 3 dias sem banho e sem comer direito, deitado no chão. Mas a pauta de hoje é se Pablo Vittar pode ou não ser “a Pablo”.

Somos superficiais passando por intelectuais. Pulando etapas, discutindo o que dá like, não o que dá resultado.

Azul, rosa…? Qualquer retardado entendeu que a infeliz ministra disse aquilo para dizer que gostaria que as coisas voltassem a ser como antes. Não porque ela acha que menina de azul não pode. Porra! Pelo amor de Deus! Ela foi infeliz, mas não é possível que isso te revolte mais do que o rio que passa do lado da sua casa recebendo o seu cocô todo dia.

Eu sei que a vontade de ir lá no Instagram e meter uma camisa rosa e pagar de resistência é forte. Mas como que a gente vai melhorar como país discutindo a universidade que devemos escolher estando ainda na pré-escola?

Não somos um país evoluído. Nossas pautas são urgentes, velhas, nojentas. Falta saneamento básico, e você quer que artistas discutam na web com essas pessoas que literalmente cagam no chão de casa se devemos ou não entender a Thammy.

Porra, que se foda a Thammy! Ou o Thammy. Sei lá. Tanto faz.

“Ai! Olha eu de rosa! Sou artista e defendo…”. Vai defender a puta que te pariu. Faz 2 semanas você tava com a sua amante no carro enquanto sua mulher fazia sua janta, seu cretino.

Onde é que vamos? Estamos quebrados, com impostos absurdos, um país rachado com parte dele defendendo quadrilha, e vamos parar nosso dia porque o YouTuber e a atriz de malhação do suvaco azul acham que devemos priorizar o debate sobre a conscientização da masturbação homossexual nos dias com menos de 25 graus.

O canudo, senhores! O Brasil é o canudo.

Toneladas de lixo ao mar, e foda-se. Mas o canudo é preciso proibir, discutir, criar um novo e se sentir engajado.

Esqueçam o canudo. Fecha o esgoto pro mar, limpa a sujeira da praia, ensina seu filho a recolher o lixo e então, aí sim, o canudo.

Não se trata de achar o canudo irrelevante ou desnecessário. Se trata de entender que não estamos discutindo com uma turma de universitários ingleses sobre o próximo passo. Estamos discutindo com um sujeito que mija na rua.

Ele não vai entender “a Pablo Vittar” ou o rosa, o azul, ou seja lá o que for, enquanto ele ainda mijar na rua.

Prioridades. Ordem, e então, o progresso.

A gente discute o azul, o canudo, a Pablo. Mas podemos tirar aquela senhora ali do chão antes? Ela está tendo um AVC… embora isso não te revolte.

RicaPerrone

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