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O abraço

Eu gostaria de explicar pra cada cidadão que ousa trabalhar ou apenas se aproximar do futebol o que de fato ele significa.  Pra muita gente de pouca vocação à vida é um esporte e nada mais. Para outros um jogo apaixonante.  Mas eu costumo trata-lo como o elo mais forte entre famílias, gerações, amigos e valores.

Ontem ao final do jogo eu andava em volta da Arena esperando um Uber e fui até a torcida do Botafogo, que saia cabisbaixa, mas longe de estar revoltada.  Andei por ali procurando uns amigos alguns minutos e naturalmente por ser meu público as pessoas me conhecem e falam comigo as vezes.

Um dos caras que falou comigo bateu nas minhas costas e me cumprimentou.  Eu respondi, dei a mão pra ele, ele me perguntou sobre o jogo.  Disse o que eu achava, ele me deu um abraço desconcertante.

Quando tirou o rosto do meu ombro ele tinha lágrimas. Eu não sabia bem o que dizer, mas disse que “ano que vem vocês disputam de novo. Faz parte, foi uma puta campanha…”.  Ele me interrompeu.

“Rica, eu sabia que uma hora ia perder. Mas meu pai morreu esse ano e eu prometi pra ele que quando o Botafogo ganhasse a Libertadores eu levaria a camisa dele pro estádio”. E me mostrou a camisa. Surradinha, velha.  Mas com valor inestimável.

Aí fui eu quem o abraçou.

E não disse mais nada.  Não sei seu nome, de onde é, nada! Só sei que quando eu bato na tecla que tratar futebol como um negócio ou como um esporte é uma burrice sem fim, eu tenho absoluta certeza do que estou falando.

É mais forte que sobrenome.  Muitas vezes é pela camisa que vestes e defende que tu carrega teu avô, teu pai e tua história.  E o não entendimento disso criou a geração ” meu Chelsea”, os dirigentes da arquibancada a 70 reais, e o preocupante fim do pobre nas arquibancadas.

Para mexer com isso você precisa saber o que é.  Muita gente entende DE futebol sem ter noção do que É o futebol.

abs,
RicaPerrone