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Nascemos pra apanhar

Brasileiro é otário. Sempre foi. Somos o “paga lanche” da escola, o bobão que apanha de geral e conta pra mãe pra ouvir “filho, o errado é ele que é mau e violento. Você é fofo”. Só que o fofo apanha todo dia.

Entre fofo otário e o menino mau, a geração atual tem dúvida. Mas não deveria.

Renato foi claro e honesto: “Não tenho um time de freiras”. Outros tantos, hipocritas. “Nossa! Veja que absurdo! Uma briga num grenal!”.

Dos mesmos criadores de “Boca e River é isso minha gente! Futebol raiz, sinalizador, empurra empurra, expulsão, briga!”, vem aí “Que vergonha um jogo terminar em briga no Brasil”.

Ora, ora, meu caro colega. Sai do estúdio, vai pra geral, desliga a tv e cai na real.

Ninguém apóia ou quer uma briga. Mas ela existe. Na sua pelada, na Libertadores, onde for. Somos latinos, não temos o sangue alemão.  Brigamos, seguimos, trocamos camisas, tudo certo.

O cartão vermelho tá lá pra isso. E foi usado.

Agora, dizer que torcedor não gosta? Gosta. Gosta e muito. Basta 2 jogadores se empurrarem num jogo que o estádio pulsa. Quem não gosta tá no estúdio, de terno, falando merda na tv. Quem tá ali torcendo, vibrando, vivendo a experiência que é um jogo de futebol ao vivo adora esse momento.

Não significa que seja bom. A Nascar, como sempre digo, é cheia de acidentes e as pessoas pagam pra ver isso. É bom que o cara se acidente? Não. Desejamos o acidente? Não. Mas ele acontece e vamos lá sabendo disso. Ponto. Pára de show.

Se a América dos pontapés, dos argentinos escrotos, dos uruguaios violentos, dos chilenos que não deixam a gente cobrar um escanteio sem chuva de pilha está chocada com o grenal, ela que procure terapia.

Das mil formas de violência no futebol o Grenal apresentou a mais honesta delas. O destempero. O envolvimento com o jogo. Não o que tranca jogo, o que busca machucar, o que tenta ganhar na porrada. Aquele que vocês jornalistas adoram e vivem exaltando pelo continente.

A América não está preparada pra um Grenal pelo simples fato de achar que todo brasileiro é o otário que vai sempre apanhar quieto, ser eliminado e chorar em casa.

Não sou a favor de violência. Não torço por ela. Mas a compreendo. Ela existe, não vai acabar nunca. É uma reação humana. Tal qual o ódio, o amor, a paixão. É o “descontrole” de suas ações.

Basta ter jogado futebol uma vez na vida que você compreende facilmente um destempero durante uma decisão. Seria ridículo levar a briga adiante, se pegarem após o jogo, com calma e serenidade. Mas ali, no calor do lance? Ah deixa pra lá.

É só uma briga. E não, não influencia em nada. Torcedor que briga no estádio (ou fora dele) vai lá pra isso, é organizada e marginal. Nenhum pai de família vê o Paulo Miranda dando soco e sai do estádio batendo no Seu Zé do Bar por isso.

É só mais um delírio da imprensa de estúdio que abandonou a paixão há muito tempo pra viver num conto de fadas.

Sabe o que aconteceu agora? O Grenal da volta não será assistido por 2 milhões. Será por 5. E você acha que engana quem com esse papo de que a mídia está chateadinha com a briga?

Pára de show.

RicaPerrone

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