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Não há zebras

Brasil e Espanha são favoritos a decisão da Copa das Confederações.  Daí a considerar Uruguai e Itália zebras é um pouco de prepotência.

A Itália é a segunda maior seleção do mundo. A Espanha é um time maravilhoso que surgiu agora e não tem idéia se vai se firmar ou virar uma nova Argentina, que viveu de um jogador e um surto até hoje em sua história.

O Uruguai é bicampeão do mundo, sem mutreta, o maior da América do Sul depois do Brasil.  O único, diga-se, a calar nosso país aqui dentro.

Não há nenhum “tropeço” possível nas semifinais das Confederações. Sabemos, porém, que se o Brasil perder, será um “vexame”, pois o semifinalista da Copa, atual campeão da Copa América e que teve o melhor jogador do mundo na Copa de 2010 é, pra alguns entendidos, “zebra”.

Gostaria de ver Brasil x Itália na final meramente pela oportunidade talvez única que eu tenha de assistir ao maior jogo do mundo ao vivo e de perto.  Gostaria de pegar a Espanha pelo possível prazer de restabelecer a ordem das coisas, mesmo sabendo que há uma grande possibilidade disso não acontecer, ainda.

A Espanha foi campeã do mundo ganhando TODOS os jogos por 1×0. Hoje, com status de quem joga uma barbaridade e ofensivamente, é cobrada para fazer mais do que isso e pode fazer.

Nós, que estamos mal cotados, somos cobrados para dar de 3×0 na Espanha caso contrário é “vexame”.

Ser seleção brasileira é a tarefa mais ingrata do mundo.

Mas organizar um evento que reúne 12 titulos mundiais  na semifinal é também motivo de muito orgulho.  E de sorte, é claro.

Aconteça o que acontecer daqui pra frente, não há zebra, vexame ou surpresa.

São 4 camisas pesadas que em uma partida podem ganhar ou perder sem nenhuma “novidade”.

Esse papo de “quem vamos pegar na final” está me incomodando bastante. Não ganhamos do Uruguai ainda, e podemos nem ganhar.

Aí sim, de novo, transformaremos uma campanha normal num vexame conforme a nossa expectativa, não conforme os fatos.

Como em 2010, como em 98, como todas as vezes que por uma bola 5 cm pro lado fez a nossa imprensa taxar um “quase título” como um “absoluto fracasso”.

Já que estamos em época de “mudar”, “não engolir qualquer coisa”, vamos levar pro futebol também e entender que se fosse tão óbvio vencer como sugerem os azedinhos, teríamos 10 Copas, não 5.

Não teríamos qualquer motivo para sermos o país do futebol enquanto ficamos 24 anos sem Copa do mundo. E neste período a seleção de 82, por exemplo, seria parte de um momento de “um fracasso” e não de uma “lição do futebol”.

Não haverá vexame, zebra ou surpresa.

Haverá, com certeza, uma grande final e duas grandes semifinais. Seja qual for o resultado.

abs,
RicaPerrone

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