Outra vez uma câmera pegou um grito racista no futebol brasileiro. Por coincidencia com o mesmo time do caso Aranha, e sabemos ser mera coincidencia pois esse é um grito não tão incomum no futebol, infelizmente.

O ponto é o que fazer a partir deste momento.

Os mais afoitos vão no óbvio da rivalidade e pedem que punam o clube. O que é um absurdo sem tamanho, mas é um absurdo com jurisprudência.

Outros pedem o correto, que é a identificação individual do autor e a responsabilização pelo ocorrido. Simples assim.

Nem tanto.

Todo mundo aqui sabe o que acontece num estádio. Quem não sabe sugiro que pare de ler pois vai virar “grego” pra você.  É um ambiente enlouquecedor, com surtos inimagináveis e onde fazemos coisas que jamais faríamos em nosso juizo perfeito.

Não nos dá direito, no entanto, de cometer crimes. Mas por mais absurdo que isso seja, culturalmente o estádio ensinou as pessoas que elas podiam SIM cometer crimes ali sob o argumento de ser parte de uma torcida e não um indivíduo.

Quem briga no estádio nunca foi julgado como quem briga na rua. Quem atira uma pedra no estádio jamais pagou por tentativa de assassinato. E quem comete racismo ou qualquer outro tipo de preconceito no estádio nunca saiu de lá sequer com um puxão de orelhas.

Então fomos nós, todos nós, que criamos esse ambiente e o trouxemos até aqui como algo comum.  Pegar uma pessoa, o clube, uma torcida e condena-la como a responsável por algo incomum também é um pouco hipócrita.

Acho que o problema é maior. Vem de fora do estádio pra dentro, mas é muito do fato de que dentro do estádio há uma lei paralela e isso tem que acabar. Mas não só pro racismo. Pra tudo.

Precisamos parar de falar da “torcida do…”  e falar do fulano. Precisamos punir individualmente e com as regras da rua, não do futebol.  Ser racista não implica em perder pontos no Brasileirão, mas em pagar na justiça.

O futebol é o gatilho pra atitudes que não tomaríamos de cabeça fria. Eu sei, você sabe, não sejamos hipócritas de dizer aqui que jamais num gol, numa derrota ou algo do tipo não fizemos algo parecido. Especialmente porque, repito, sempre foi algo “autorizado” dentro do estádio.

Mas massificar a responsabilidade é uma puta cagada.

Exatamente o contrário é o que imagino ser o caminho pro fim da violência no futebol e também, por consequência, desse tipo de crime.

Individualizar o erro. Então, por favor, parem com essa coisa de “gremistas racistas”, “tem que tirar ponto”, entre outros fatores que tornam o erro desportivo. Ele é social. Não se trata de futebol.

RicaPerrone

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