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Moleque atrevido

A diretoria do São Paulo conseguiu. Após 4 anos tentando insistentemente ser o mais odiado clube do país, eis a recompensa. Agora, além de odiado, é motivo de piada. Piadas que eles mesmos articularam, diga-se.

Aquela música do Jorge Aragão, “Moleque atrevido”, poderia ser tocada no Morumbi por algumas horas em sequencia, quem sabe assim alguém enxerga o que está acontecendo. Não entendeu? Eu explico.

Na música ele diz a dificuldade que foi chegar onde chegou. Conta da humildade que teve pra conquistar o que conquistou e que isso merece respeito.

” Quem foi que falou
Que eu não sou um moleque atrevido
Ganhei minha fama de bamba
No samba de roda
Fico feliz em saber
O que fiz pela música, faça o favor
Respeite quem pode chegar
Onde a gente chegou
Também somos linha de frente
de toda essa história
Nós somos do tempo do samba
Sem grana, sem glória
Não se discute talento
Mas seu argumento, me faça o favor
Respeite quem pode chegar
onde a gente chegou
E a gente chegou muito bem
Sem a desmerecer a ninguém
Enfrentando no peito um certo preconceito
e muito desdém”

Respeito é algo que só recebe quem dá. O SPFC atual, através de sua diretoria e consequentemente de sua torcida, não respeita ninguém. Assim sendo, na primeira chance que tiverem, perderão o respeito também.

E eis a chance. O time que cospe pra cima agora toma na testa.

A história do Tricolor nunca teve páginas de petulância. Quando perdeu, perdeu. Quando venceu, venceu.

Nunca perdeu sem dignidade, nunca ganhou pisando nos outros. Hoje perde de forma nojenta e ganha de forma mais nojenta ainda.

Claro que, quando ganha, o torcedor não vê. Afinal, ele fica tão petulante quanto. Mas ele pode, o profissional não.

Há 4 anos eu digo, com o time ganhando, que as coisas não estão caminhando pra um lado bom, principalmente em virtude da forma de jogar e da postura. Minhas criticas sempre foram basicamente essas: Empáfia e futebol defensivo.

Hoje, perdendo, todos repetem o discurso do “corneteiro” aqui. Natural, torcedor só enxerga quando perde o jogo.

E quando cito a música do Jorge Aragão parece que estou sugerindo respeito AO SPFC, quando na verdade até é. Mas não dos rivais, e sim dos próprios envolvidos.

Essa diretoria que hoje comanda e representa o clube não sabe o que está fazendo, pisa na história do clube e ajuda a piorar uma geração de torcedores que por natureza já é acomodada e arrogante.

Eles prometem e juram ser o “Manchester” do Brasil, e os bobos acreditam.

Não são, nunca serão. Aqui não há Manchester, especialmente porque não existem apenas 2 ou 3 grandes. Aqui são 12, igualmente importantes ao futebol brasileiro, que vivem em altos e baixos desde que foram inventados.

O SPFC não é diferente. Nunca foi, nunca será.

No Morumbi não se faz patrocinio de um jogo só, diziam. Não se usa camisa “abada”, diziam. Não se aceita Luxemburgo, afirmavam. Não se pensa em cair, jamais. Não se deve prêmios, prometiam. Não se faz nada errado.

Lá, é “feio” terminar um ano sem título. Eles são de marte, acreditam em Papai Noel, prometem o que não podem cumprir, usam o momento glorioso do time em campo para se tornarem celebridades esportivas.

Pois aí está, tudo ao contrário.

O time que queria ser maior torcida do país em 10 anos não será, pois não é mole “virar casaca” pro time mais odiado. O projeto de encher o Morumbi não deu certo, menos ainda o de usá-lo na Copa.

O patrocinador não saiu, o time joga mal, a torcida não vai, as camisas não vendem.

Empréstimos foram feitos para pagar salários. Outros serão aprovados para o estádio. Cotas foram adiantas, contratos renovados por necessidade de dinheiro adiantado e os jogadores da base não aparecem pra fazer caixa.

A situação é ruim, e quando os proprios tricolores reconhecem isso é porque é BEM ruim.

Diria, ainda, Jorge Aragão:

“Hoje em dia é fácil dizer
Que essa música é nossa raiz
Tá chovendo de gente
que fala de samba e não sabe o que diz
por isso vê lá onde pisa
Respeite a camisa que a gente suou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
E quando pisar no terreiro
Procure primeiro saber quem eu sou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou”

E é fácil dizer, é fácil se vangloriar. Afinal, “suas glórias vem do passado”, não necessariamente pelas mãos dos mesmos dirigentes.

Respeitem essa camisa. Respeitem a verdade e quem a construiu.

Devolvam o SPFC aos verdadeiros tricolores, que mesmo prepotentes pela grandeza do clube, jamais fizeram dele um trampolim politico ou um microfone para menosprezar os outros.

Parem de iludir essa molecadinha cega, surda e muda que acha que o clube é perfeito. Sabe porque eles não vão ao jogo? Porque vocês prometem pra eles que terá final em dezembro.

Não desmereça a Copa do Brasil, pois é um torneio que o SPFC nunca teve COMPETENCIA pra ganhar, e tentou.

Não sujem um manto tão sagrado com tanta arrogância. Não é preciso ser perfeito, basta ser você mesmo.

Hoje, meus amigos, é nítido: Transformaram o “moleque atrevido” num “playboy mimado”.

E, normalmente, o playboy acaba apanhando na escola. O moleque não.

abs,
RicaPerrone

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