Após o 7×1 eu conversei com os meus amigos da produtora Base1 e resolvemos fazer um documentário com uma tese que tenho sobre a queda do futebol brasileiro. Eu não vou expor aqui em linhas o que faríamos em viagens internacionais e centenas de horas de gravações, mas basicamente queria mostrar que ha uma dose grande social/cultural no momento do nosso futebol.

Enfim.

“Lamentavelmente” somos honestos e não superfaturamos o documentario. O total dele deu menos de 350 mil. Era bem honesto e com preços de mercado mesmo, sem tentar “meter a boa” em cima de nada.

Eis nosso erro.

Aprovaram. O documentário era bom, o que ia ser mostrado era novo e relevante.  E com ele nas mãos eu fui até as empresas buscar essa “grana fácil” já aprovada.

Pois bem. Descobri que não é assim.

Há uma organização onde “captadoras” sabem exatamente as empresas que fazem uso disso e levam um % para apresentar vocês pra eles. Até aí, ok.

Não usamos. Fui nas empresas eu mesmo. E fui em mais de 15 mostrar o projeto e pedir um dinheiro que era de imposto. Não lhes daria um prejuizo.

Ouvi de uma que era “muito enxuto”. De outra que “não valia a pena pra eles”, e assim fui ouvindo até entender o esquema.

Meu filme custa 400. Eu peço 1 milhão na lei. Aprovam, a empresa da o milhão e eu devolvo, sei lá, 300 mil pra ela, pro cara que aprovou, ou pra quem for. Mas alguém ganha mais do que o filme em si.

E por não termos orçado o % da propina, ninguém nos deu um real. Imagine você nossa reação ao ver um projeto PAGO pelo governo não receber um real porque ninguém além do documentário ganharia alguma coisa.

Desistimos.

Não houve documentário. E desde então sei que não deve haver Rouanet. Ou, se deve, que seja devidamente investigada e bem feita. Para quem precisa, com reais contribuições a cultura e não “comprando” artistas e empresas sob o argumento da cultura para garantir a próxima eleição.

A Rouanet era uma boa idéia. Hoje é só mais um esquema.

abs,
RicaPerrone