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Menores abandonados

A pior das Copas vem aí. Pressionados, num momento de renovação, abandonados pelos salvadores da pátria, apadrinhados novamente pelo antigo líder.

Neymar e Lucas são craques, vão fazer história. Mas aos 20 anos, sem experiência em Copas, sem saber ainda como jogar contra europeus de cintura dura e muita força física, não podem ser a referência emocional de uma seleção na pior das Copas.

Pior porque seria maravilhoso a qualquer outra seleção jogar em casa. Pra nós, favoritos a tudo, é o inferno.

Imprensa contra, torcida desconfiada, torcedor de final vaiando com 10 minutos. Todos esperando 1982, sendo que adoram ficar na tv babando pro futebol de 2013 que a maioria dos gringos apresentam.

Mudança e reformulação é legal no time dos outros. No nosso, paulada atrás de paulada.

A seleção não pode contar com a ajuda do torcedor, menos ainda da imprensa, que deveria estimular o apoio e não o massacre. Sabemos que não vai acontecer.

E se uma Copa tem um peso enorme nas costas de veteranos, imagine um time de garotos tendo como responsabilidade ganhar o mais difícil de todos os títulos.

Ronaldinho, Adriano e Kaká eram nossos pilares de maturidade. Nosso time de 2014 desenhado há alguns anos tinha neste trio sua base experimentada e capaz de resolver para aguentar a pressão.

Não tem. Um porque não quer, o outro nem futebol joga mais e o terceiro vive machucado.

Culpa do Mano? Do Felipão? Do Neymar?

Não. De ninguém, pois nem cabe aos três a obrigação de salvar pátria alguma. O que se espera de alguém não necessariamente é o que este alguém planeja pra si.

Felipão e Julio César foram lá dar calma e a cara pra bater.  Com eles, que ainda é pouco, os meninos devem apanhar menos até que se adaptem a seleção e ao tipo de jogo que vão enfrentar lá.

Antigamente os europeus mudavam o jeito de jogar para nos enfrentar e quase sempre perdiam. Hoje, por insistencia de uma mídia que baba por qualquer pereba com outra língua, achamos que somos estagiários e eles professores.

Eles controlam o jogo, eles colocam medo e nós, tolinhos, mudamos nosso modo de jogar pra enfrenta-los.

Perdemos, como vamos perder quase sempre. Não por sermos piores, ao contrario, por não aceitarmos mais o fato de sermos melhores.

Faltou personalidade de manter nosso jogo mesmo nas derrotas. Faltou personalidade pra não julgar como vilões cada derrotado com nossa camisa. Falta em campo, falta no dia a dia, falta no futebol brasileiro.

Temos muito talento, pouca convicção do que estamos fazendo. Fruto da nossa mania de jogar tudo no lixo quando perde, tudo pro céu quando vence.

E hoje, quando Felipão estréia perdendo um jogo onde Ronaldinho perde um pênalti e Neymar um gol embaixo da trave, além de termos “dado” um gol a Inglaterra, tudo se torna contestavel de novo.

E não é. É só um passo rumo a Copa onde teremos que ganhar deles todos e de nós mesmos.

Sendo que contra eles somos favoritos. Contra nós, não.

abs,
RicaPerrone

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