Adriano está fora do Corinthians, na mira do Flamengo. É o óbvio do óbvio, desde a saída de Luxemburgo, sujeito que o barrou na primeira tentativa.

Ninguém confia em Adriano. Apostam, talvez. Mas não é uma linha clara e objetiva que faz alguém chegar a esta alternativa.

“Imperador no Fla? Depois do fiasco no Corinthians? Nem pensar!”, gritam alguns. Mas vamos tirar doses dessa mistura.

Primeiro a dose de ter sido no Corinthians, o que já aumenta bruscamente a revolta de jornalistas alvi-negros e, portanto, o tamanho do bla bla bla.  Se ele tivesse feito a mesma coisa no Santos… iria pro Flamengo hoje de manhã sem 50% dos discursos de “acabou”.

Depois retire a dose de “eu quero cravar” que a mídia tem.  Basta um novo acontecimento, uma denuncia ou uma fumacinha pra nego sair cravando tudo pra ver se acerta. “Ele acabou!”, entre outros. Como se isso fosse um bolão, talvez.

Mas não é.

Adriano é um sujeito problematico que não consegue administrar sua depressão. Ponto.

Isso gera vicios, aumento de peso e pequenos atos de indisciplina como faltar em treinos.

Está errado? Muito.

É incorrigível? Não.

E digo que não porque Adriano não está entregue a uma má fase sem volta há 5 anos. Ele retomou em alto nível em 2008, depois teve uma queda. Fez 2009 brilhante, deu um título ao Flamengo, um 2010 razoável e sumiu em 2011.

É muito diferente oscilar e apagar.  Ronaldinho, por exemplo, apagou. Faz 6 anos que não joga futebol. Adriano alterna entre bons e maus momentos.

No Corinthians, um momento ruim. Aos 30 anos, está pra nascer alguém que consiga, de longe, me dizer que o sujeito está acabado.

Aí vem a tese mais sensacional de todas. “Adriano no Flamengo? Tem gente que ainda é burro de apostar nele….”.

Pois é. Mas vamos a lógica e não ao discurso.

Porque um clube que dá a tarja de capitão ao Ronaldinho, que diz desistir de Thiago Neves por não ter 18 milhões e 5 dias depois paga 22 no Love, que até outro dia queria o Kleber não pode contratar o Adriano?

De todos os “surtos” rubro-negros, talvez fosse o menos absurdo.

O Adriano tem história no clube e quando em campo pede a bola. Eu nunca vi o Imperador se esconder de um jogo difícil. Já o craquinho, inteiro e magrinho, se esconde de todos eles.

É mais fácil fazer o Adriano perder 3 kilos do que ensinar o Ronaldinho a resolver quando precisa, meus caros.

O Imperador vende mais camisa no Fla que o Ronaldinho, aposto.

Um contrato de risco é para ambos os lados. Não faz mal a ninguém. Se não der, não recebe. Se voar, recebe.

“Mas é um absurdo um clube pensar em Adriano numa era onde o profissionalismo…… bla bla bla”.

Profissionalismo é a puta que pariu, com todo respeito. Neste país, no futebol, ninguém é profissional. Nem quem joga, nem quem administra e talvez boa parte dos que cobrem.

Profissionalismo é pagar Kleberson pra encosta-lo? Trocar de técnico quando um jogador que não joga nada faz biquinho? Dizer que não faz loucuras e fazer 5 dias depois por birrinha do rival?

Fala sério. Que mané profissionalismo tem nisso? Futebol é amador, é administrado e movido por paixão, errado pra cacete, mas é assim que funciona, ainda.

Eu posso dar 1,3 pro Ronaldinho andar e não posso dar 200 pro Adriano, ídolo com história no clube, tentar perder 3 kilos?

Desculpem, sei que vou contra a maré nessa, mas… Eu arriscaria.

Contrato baixo, de risco, por produtividade. Mas arriscaria.

Sim, eu prefiro um problema talentoso do que um disciplinado inoperante.

É melhor tentar segurar o Adriano do que ensinar o Jael a dominar uma bola.

E se não der, não deu. Mas quem arrisca no Ronaldinho e dá nas mãos dele a tarja de capitão do Flamengo e a camisa que foi do Zico não tem nenhum argumento pra dizer não ao Adriano.

Nenhum.

abs,
RicaPerrone