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Mais que esporte

Como sempre, Pachecão assumido que sou, compro briga em dias de Brasil no esporte. Como quase sempre me deparo com pessoas acima do bem e do mal que querem racionalizar paixão. Ou melhor, tentam.

Ou pior, conseguem.

Hoje quando Felipe ganhou o bronze demos inicio a muito mais do que uma competição esportiva. Demos o pontapé inicial a um projeto enorme que mudará não apenas o esporte mas muito da nossa infra estrutura, imagem no exterior, entre outros.

Claro, eu sei que neste momento já pintou um Zé Diferenciado dizendo: “Obras superfaturadas, que vergonha! E voces aí com pão e circo!”.

Eu não condeno o pobre coitado que tem essa primeira reação. Tenho pena dele, não nego. Mas não condeno. É direito do sujeito propagar o copo meio vazio, como é direito meu escolher o meio cheio.

O que não é direito nem meu, nem de ninguém, é tentar enquadrar um pingo de patriotismo que o esporte nos dá. Tentar regrar, explicar, querer diminuir ou determinar até onde é permitido.

“Patriota só nas Olimpiadas e na Copa!”, dirá um deles. Sim, sim, é verdade!

Mas é melhor que não ser em momento algum. Qualquer dose de amor ao nosso país, seja vindo de um presidente ladrão que comove a nação, seja vindo de um atleta olimpico erguendo a bandeira, é bem vindo.

É padrão norte-americano, por exemplo, usar os filmes, a tv e o esporte para fomentar o patriotismo. Não sei se gosto, mas funciona. E como adoramos dizer, “se funciona lá, devemos copiar”.

Não, não devemos. Mas também não devemos achar “brega” um sentimento tão nobre e raro.

Sarah me emocionou hoje. Mas eu me segurei. Talvez por ser um machão incondicional, talvez intimidado por estar lendo um monte de idiotas menosprezando o feito ou as consequencias dele. Enfim, me segurei e não chorei.

Mais tarde, quando Sérgio Maurício, narrador do Sportv (E aí, ta ligado!?) apareceu chorando após narrar as nossas medalhas eu lembrei do quanto fui idiota em segurar o meu.

Se ele, lá, fazendo isso ha 30 anos, jornalista, cansado de ser “surpreendido” por este sentimento estranho que dá na gente quando vemos um igual erguer nosso orgulho através do esporte, pode. Porque eu não podia?

Porque você aí vai pensar se é brega ou não se emocionar com uma das nossas míseras medalhas nos próximos 15 dias?

Dirá o enchedor de saco profissional: “Mas você não fala de Judo. Ela ganha a medalha e você vem falar que é “nossa””?

É, é sim.

Eu não ajudei, não me importo com o esporte dela, sequer vou me lembrar dela daqui 1 mes.

Mas hoje aquela menina do Piauí me encheu os olhos de lágrimas a não sei quantos mil kilometros de distancia por uma vitória num esporte que mal conheço as regras.

Sabe o que é isso?

Nem eu.  Mas ao invés de procurar respostas e filosofias para racionalizar tal momento, melhor curti-los.

Se com choro, aplausos ou um sorriso orgulhoso, vai de cada um.

Mas não tente raciocinar.  Sinta.

É especial. E aqui, em 4 anos, será ainda mais.

Parabéns, Sarah, Felipe e Thiago! Parabéns Sérgio Mauricio, competente durante, brilhante após o evento.

abs,
RicaPerrone

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