Home » Diversos » Lições de um quadro de medalhas

Lições de um quadro de medalhas

Para a enorme maioria ele diz o simples: “somos um fiasco”. Para outros, mais ponderados, diz que precisamos melhorar em vários aspectos, pois não podemos ser a vigésima segunda força esportiva do mundo.

E para quem quer ler o que está atrás daquelas medalhinhas, diz pouca coisa.

Você já parou pra pensar que, ao invés de entender os números como um fracasso, podemos avaliar como tendo destaque em esportes que não distribuem medalhas a cada 15 minutos?

São 26 esportes nas Olimpíadas. Não, eu não acho que o Brasil precise de representantes no Badminton, nem acho que precisamos de mais apoio a esgrima. Acho que não são nossa cara, é nosso direito não termos praticantes de alto nível num esporte que não nos diz respeito.

Esporte é automobilismo, também.  MMA, dependendo de como você avalia.

E se o futebol fosse como “Atletismo”?

Medalha por dribles, campeonato de chute a distancia, bola colocadinha na gaveta, melhor tiro de meta, etc? Sairiamos de Londres com 50 medalhas de ouro. É exatamente o que acontece com EUA, China… medalhas feitas 70% em 2 ou 3 esportes que distribuem muitas medalhas. Só isso.

O segredo é fabricar um resultado. E honestamente, que me importa ter 10 medalhistas monstros em esgrima se ninguém aqui assiste ou pratica? Me soa hipocrita, uma farsa olímpica.

Podemos pegar 10 garotos e fazer com que em 4 anos eles sejam ótimos atiradores de peso. Mas e aí? O que isso quer dizer “pro esporte brasileiro”?

Picas.

Somos competitivos (não os melhores necessariamente) em Basquete, Volei, Futebol, Boxe, Judo, Vela, Tenis … ops! Peraí!

Tenis…

Porque não pedimos “mais apoio ao tenis”?  Alguém realmente acha que precisamos de uma ong em comunidades carentes para apoiar o tenis ou o Golf, talvez?

Incentivo ao esporte não diz respeito a medalhas. Somos um país que pratica esportes, mas que não falamos deles. Quando tem, tiramos o nome do patrocinador. E quando não tem, reclamamos que não teve apoio.

Somos hipocritas. Queremos medalhas, não “incentivo ao esporte”.

Queremos o que os americanos querem: Status.  Somos como a maioria. Não importa se ao meu lado senta-se uma puta ou uma dama, desde que eu ande de Ferrari e todos PENSEM que estou bem, ótimo.

E não, não é assim.

200 medalhas em natação não faz de ninguém uma potência esportiva. Faz dele uma potência na natação. Talvez resumida a 3 ou 4 atletas, diga-se.

Na maior parte dos esportes temos representatividade. Não temos nos que distribuem medalhas a rodo, essa é a verdade. Mas podemos fabricar, como fazia Cuba, como hoje faz a China.

A mim não diz nada. Não me importo em ver 10 caras ganhando medalha na esgrima se eu souber que meu país eternamente “c… e andará” pra esgrima.

Não precisamos disputar bem todos os esportes. Precisamos disputar o que gostamos. E neles, somos competitivos.

Não olhe o número de medalhas. Olhe de onde elas vieram. Veja em quantos esportes elas passaram e se, de fato, estes esportes são populares, legítimos no dia a dia de um pais ou se fabricados para conquistar medalhas e dizer que são.

Não tem norte americano assistindo salto a distancia durante o ano, nem mesmo comentando sobre o assunto. Tem é um apoio pela medalha, que faz tudo isso “parecer” funcionar. Não necessariamente que funcione.

A questão é simples: Queremos, precisamos ou achamos engraçadinho pedir, por exemplo, apoio ao badminton?

Medalhas não respondem mais do que 20% do que queremos saber.

Então não façam delas “uma lição”. Porque elas não são.

abs,
RicaPerrone

Comentários