Jornalista critica. Tudo. O tempo todo. Tendo ou não capacidade de avaliar, ele critica. É assim que ele é formado, pra ser contestador. Do contestador leigo ao especialista há uma diferença. E nesse meio a única semelhança entre quase todos os jornalistas é o corporativismo.

Miriam Leitão foi desconvidada de um evento porque pessoas se revoltaram com sua presença. Os organizadores tinham duas escolhas: deixar que ela fosse lá ser humilhada por uma turma disposta a isso e que avisou de véspera, abrindo chance até para uma agressão ou algo do tipo, ou cancelar sua participação.

Em qualquer uma das duas escolhas a imprensa faria um puta drama.

Primeiro porque estão mexendo com um jornalista da antiga. Segundo porque jornalista não entende picas de evento, organização, segurança e processos eventualmente movidos por ela caso ela fosse agredida.

Era uma decisão impossível de agradar.

Censura?

Não. Censura é impedir que você diga o que pensa.  Impedir que você suba no meu palco pra isso é escolha. Você pode continuar falando o que quiser, só não estará em um local que requer convite.

Jornalistas amam falar em censura. Como se houvesse alguma num país onde a mentira é livre desde que se diga não poder revelar a fonte, onde o crime está autorizado se for pra um jornalista publicar e onde o viés ideológico da colega determina se foi bom senso ou censura.

Porque ameaças só são assustadoras quando convém? Jean Willys está em pânico lá na Europa. Tadinho. Ela, se tivesse recebido as mensagens e resolvido cancelar por prudência (mesmo motivo do evento), estaria sendo vitimizada pela mídia até agora como uma sufocada mulher ameaçada.

Houve ameaça. Pronto.

Você garante a segurança dela? Não. Então cancela.

Simples assim.

– Ah mas as pessoas não podem reclamar dela no evento porque ela pensa diferente!

Aham. Aí não é censura, né?

RicaPerrone

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