Talvez você não concorde com a nota da fantasia, ou quem sabe de harmonia.  Pouco importa. A escola de samba campeã deveria ser sempre a escola que mexe com as pessoas e consegue dizer sem um manual o que está passando na avenida.

A Beija Flor proporcionou um dos maiores desfiles dos últimos anos, uma crítica brilhante, bem colocada e que arrastou a multidão num samba antológico.

Os detalhes que separam uma escola do título as vezes são mero medo da Liga de entender que a forma de disputa é um equívoco.  Se você não sabe, vou te contar.

As escolas entram na avenida com 10 e tem que “não errar”.  Elas não buscam pontos, apenas tentam não perde-los. É um erro tremendo, pois se você fizer 20 paradinhas e errar uma vez, perde 1 décimo. A escola que não arriscar nenhuma não errou, e leva 10.

Premia-se o conservadorismo. E então se tem sempre um resultado controverso. Não hoje.

Tanto a campeã quanto a vice mexeram com o público e fizeram duas coisas muito importantes: samba e enredo de fácil leitura.

Quem tá lá não quer olhar no livrinho o que é. Quer olhar, pensar no tema e entender a ala. E as duas fizeram isso brilhantemente.

A Tuiuti é o primeiro jabuti na arvore que subiu sozinho. A ala da discórdia não interfere em avaliação de quesito nenhum, então apenas os 99% de leigos em carnaval do Brasil achavam que isso teria algum reflexo na nota da escola.

Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade fecham as campeãs. E separadas todas por miséria. Em um quesito a Mocidade foi de campeã pra sexto. Mas é exatamente isso. Um equilibrio separado por detalhes que não saltam aos olhos facilmente.

Poucas vezes concordei tanto com um resultado quanto o deste ano. Inclusive pela queda da Grande Rio, que me surpreendeu pela grife, mas que deu um atestado de confiabilidade ao carnaval diante de um desfile cheio de problemas técnicos.

Parabéns Beija-Flor! Parabéns a todas as campeãs! E viva o carnaval do Rio de Janeiro.

abs,
RicaPerrone