Imagine um lugar onde todo mundo fosse feliz.

Onde todas as pessoas estivessem minimamente fazendo o que gostam. Onde o pobre e o rico alternassem a importância e o protagonismo, onde os gays fosse tão respeitados que se tornariam até referências em cargos de poder.

Um lugar de negros e brancos onde se discute pacificamente o racismo, a cultura, nossos valores e pontos de vista. Cheio de político sendo ridicularizado pelo povo e tendo que aplaudir de camarote pra não ficar feio.

Onde o artista fala menos e atua mais. Onde o som ambiente não remete a nada triste. Um lugar colorido, regado a sonhos e pessoas dispostas a se abraçar quando se encontram.

Um raro lugar onde o Brasil dá certo. Onde um lixeiro fosse aplaudido por empresários e “patrões”.

Onde alguém pode passar dizendo que é de esquerda e ninguém liga. Onde quem é de direita não se importa em aplaudir um espetáculo feito por maioria contrária.

Que lugar.

Imagine também que nesse lugar até mesmo a competição pelo melhor não fosse mais importante do que estar junto. Que embora derrotado você pudesse estar feliz pelo que fez.

Onde a roupa te dá um lugar especial, a falta dela um ainda mais especial.  Onde o crente assiste e canta pros orixás, o batuqueiro pede benção, o ateu agradece a Deus por estar lá.

Um lugar onde as músicas não te mandem chupar e descer, mas sim contem histórias da nossa cultura, homenageiem personagens de nossa história e lugares de nosso país.

Onde não há violência, foco em problemas e hora pra acabar.  Só pra começar. E se chover, a gente atrasa.

Agora imagine que esse lugar que o mundo “briga” pra criar já exista e que na cabeça de algumas pessoas seja apenas uma putaria, música ruim e motivo bandido pra lavar dinheiro?

Pois é. Cada um vê o que pode ver.

Bom carnaval.

RicaPerrone

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