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I see dead people

Foi pênalti? Não foi? Impedido? Não estava? E aquela expulsão? Merecia?

Tudo isso é parte do futebol. Aliás, uma das mais gostosas que ele proporciona, diga-se de passagem.

O boteco pós jogo é quase o terceiro tempo de uma partida. Ali, você inventa, grita, defende, argumenta, briga e participa do jogo. Ali, em tese, terminariam os argumentos e as discussões sobre o “jogo de ontem”.

Mas infelizmente vivemos numa era onde para trabalhar com microfone é preciso ter uma mulher que durma de calça jeans. Acordar azedo, procurar culpados, aumentar o problema e menosprezar a glória são as novas regras da profissão.

No embalo, sempre repetindo o que vê e ouve, o torcedor vai na onda.

Eu já vi nego discutir se o juiz está comprado. Acho meio exagerado, mas existem casos (poucos) que dão margem pra tal chororô pós jogo, normalmente uma derrota, óbvio.

Já vi muito jogão terminar num tópico vazio. Já cansei de ver ignorarem as boas atuações ou os heróis da partida em troca de um massacre a um vilão. Mas nunca tinha visto um tira-teima ser o momento mais importante de um jogo épico.

Da boa atuação de Rodolfo a atuação ruim do Corinthians, do bom desempenho do Castan a falta de visão do Éder Luis, tudo poderia ser assunto.  Foi um jogo dramático, complicado, pegado, duro. Mas não. Nada disso importa, pois “exaltar” não dá ibope.

Me interessa não apenas discutir se estava impedido ou não, que é parte do jogo. Preciso ir além e colocar a discussão num patamar estúpido.  O lance é indiscutivelmente complicado. Nem o mais fanático torcedor é capaz de dizer que é “claramente impedido” ou “claramente legal”.

E aí vem um recurso de TV e diz que, por centimetros, parecia mesmo ilegal. Tira-teima pode errar, é claro. Mas costuma errar menos que o juiz e que nosso mero palpite. Certo ou errado, por centimetros ali ou aqui, não é possível imaginar ou insinuar que haja “manipulação”.

Realmente há alguém imbecil ao ponto de achar que existe um diretor da emissora atrás da transmissão dizendo: “Coloca mostrando a favor do Corinthians!”, “Não repete esse lance porque foi contra o Vasco”, etc, etc, etc?

É possível a mente humana chegar a tamanha imbecilidade de achar que há um departamento de complôs numa emissora e, através dele, se determina quem deva ser privilegiado em cada lance de um jogo de futebol?

Você, torcedor, realmente acha que há um esquema, uma máfia, que é tudo armado? Entào porque assiste? Porque torce? Porque sofre por algo que você jura ser “armado”? Neste caso há um imbecil, e é voce.

Mas você tem desculpa. Você torce, não analisa, só enxerga o seu time, e é parte do show a sua “cegueira apaixonada”. O que não é parte do show é ver aqueles que levam o show até você passarem mais tempo procurando motivos para tirar a credibilidade do concorrente ou para “defender sua tese” através de insinuações vazias.

O lance do impedimento é pra ser o assunto do dia, é óbvio e delicioso que seja. O tira-teima, a boa ou má vontade de Globo e Fox com time A ou B, nem pensar.

Mas tem sido. Porque vivemos numa era onde procuramos sempre o lado ruim e sombrio de tudo. Onde tem, na nossa cara, não vemos ou não damos importância.

Onde não existe, procuramos e dizemos enxergar. Pior, ficamos animados fazendo “campanhas”  para “mudar tudo isso”, como se houvesse algo do tamanho que alguns pensam ter.

Vasco e Corinthians jogaram pelas quartas-de-final da Libertadores. O jogo teve de tudo, inclusive um lance polêmico e muito dificil onde até agora ninguém é capaz de cravar se estava ou não.

Qualé o tema do dia? O jogo? O lance?

Não, a possível má intenção de um tira-teima.

Com todo respeito, procure um médico ou, quem sabe, uma namorada.  De um dos dois você precisa.

abs,
RicaPerrone

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