Flamengar – Surpreender, apaixonar, decepcionar, exaltar, culpar. É surpreender quando ninguém confiava, decepcionar quando todos confiam É manter uma relação próxima e íntima com o inacreditável.

Flamengar é brincar com o sentimento de uma nação, podendo fazer dela mais feliz ou absolutamente revoltada. É a soberba disfarçada num clube que, de vez em quando, dá as caras.

Flamengar é perder o jogo ganho, ganhar o jogo perdido. É um dom incomum de errar quando parece fácil e acertar quando parece impossível.

Dos pés de um apagado Ronaldinho a genialidade que esperam dele. Craque, quando sumido, resolve num lance. Se não, não é craque.

Ronaldinho, hoje, foi craque.

Joel, o vilão eleito da noite na falta de argumentos mais sólidos, não cometeu nenhum erro grotesco que justificasse o resultado.

O imponderável aconteceu. Aquele que exaltamos quando a nosso favor, nos revoltamos quando contra.

A vocação rubro-negra em contar histórias inacreditáveis continua firme e forte.

Não era um jogo espetacular, sequer uma atuação de gala, como sugeria o placar.

Era uma boa atuação com lampejos do craque que, hoje, quis ser craque.

3×0, resolvido. “Festa na favela”, cantavam.

Ninguém sofreria o empate em casa, aos 31 do segundo tempo, ganhando por 3×0 e tendo as melhores chances de gol.

Ninguém, menos o Flamengo.

Pode procurar culpados durante uns 20 anos, não os encontrará.

O épico acontece a favor e contra.

Se no Paraguai o Flamengo empata 3×3 em 10 minutos um jogo perdido voltaria ao Brasil heróico e faria deste jogo um DVD.

As vezes, no DVD, somos coadjuvantes.

Não há tática, não há técnica, talvez uma dose de soberba, um exagero no “já ganhou”.

Mas, confessa ai… você também achou que já estava ganho.

Porque sim, já estava. Era tão incontestável quanto o 3×3.

Aqueles dez minutos que levam o Flamengo do inferno ao céu, lembrem-se, também fazem o caminho inverso.

Era dia de escrever história no futebol. E hoje a história foi do Olímpia.

O Flamengo, coadjuvante num filme de 90 minutos onde só 10 serão lembrados.

E sim, é parte de sua natureza.

Sua história não esconde, pelo contrário, se orgulha do poder de decepcionar seus fiéis e desbancar seus infiéis.

É isso, há mais de 100 anos.

E o Flamengo, Flamengou.

abs,
RicaPerrone