A gente se engana mas no final tudo volta a ficar claro. Nossa relação é intensa, covarde, abusiva. Queremos tudo de ti, damos nada em troca. Sendo você “a” seleção, diria até que somos machistas opressores. Afinal, somos “o” torcedor.

Sendo essa gangorra de amor e ódio onde a você só vale a conquista e a nós o direito a tudo, compreendo a distância.

Dessa vez nem precisamos de 4 anos para comprovar que as redes sociais são uma aberração de opinião popular não legítima validada por um mundo paralelo. Precisamos de apenas um.

Lá estavam, fingindo insignificância, sugerindo amadurecimento ao ponto de ignora-la, quando na real é só recalque mesmo. Vontade de se declarar não permitida pelo mundo moderno onde devemos odiar, contestar, cobrar e pouco se enxergar.

Nas cidades, gente na rua. No estádio cheio, cantoria. Nos bares, camisas e gritaria. E de nada valia, imagina se valesse?

A Copa América é pretexto. Nós paramos é pra brigar com nosso ego e tentar nos convencer de que não, a seleção não é mais importante.

E aí vem os fatos e quebra nossa cara. O Maracanã cheio, o soco na mesa ao apito final daquele mesmo senhor que aos 12 do primeiro tempo dizia “eu nem ligo mais. Se ganhar ou perder, tanto faz”.

Mentiroso.

Na década de 80 o Telê era pisoteado, criticado por todo lado. Em 2019 a gente jura que só queria aquele time de novo. Aquele que massacramos quando perdeu. Diferente desse que será contestado mesmo vencendo.

Brasileiro reclama. E não há nada mais nosso do que a seleção. Não há assunto com mais entendidos do que futebol. Logo, é o alvo predileto.

Vamos assim, já acostumamos. “Negando as aparências, disfarçando as evidências”…

Mas hoje, campeão no Maracanã lotado, acho que dá pra abrir uma exceção e “dizer que é verdade, que temos saudades, e que ainda pensamos muito em ti…”

RicaPerrone

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