O problema e também uma parte do charme da F-1 é exatamente a dificuldade que temos em dar ou tirar méritos dos vencedores.

Quem dirá que Vettel, tetracampeão, chega aos pés de Alonso, bicampeão? Os números nunca dirão. E então surge a discussão do carro, da condição, e ela é absolutamente relevante. Ninguém ganha nada na F-1 sem carro.

E hoje em dia, ou há algumas décadas, ninguém chega na F-1 sem dinheiro. O que já transforma a briga em algo um tanto quanto contestável.

A mídia italiana, ferrarista apaixonada, está detonando Vettel. Pudera. Eu também estou fazendo isso na frente da TV como torcedor que também sou da escuderia. Um tetracampeão não tem as mesmas expectativas de garotos estreantes ou até de bons pilotos no grid. Ele tem que brilhar. Ser bem acima da média.

E não é.

Um Damon Hill, um Villeneuve, talvez um Button. Mas um bom piloto que consagrou seu nome exageradamente em cima de uma condição.  Não deixa de ser notável, mas não condiz com o absurdo número de 4 títulos mundiais.

Leclerc pode ser genio. Mas independente dele ser ou não, Vettel erra sozinho há tempos. Tem muito menos capacidade do que Hamilton e por mais que isso pareça distante a quem acompanha de longe a F-1, a Ferrari não é uma equipe. As outras são.

O mundo assiste F-1. As pessoas amam a Ferrari, não uma marca de energético ou de algum outro carro menos lendário e sem comoção popular em seu país de origem. A Ferrari é um Flamengo, um Corinthians. Só que nesse campeonato não existem sequer Palmeiras, Cruzeiros, Grêmios.

A paixão está toda numa só. O resto é conforme o piloto, não conforme o time.

Para ser o número 1 da Ferrari você precisa ser mais do que tetracampeão. Você tem que ser “o cara”. E “o cara” hoje guia na Mercedes, o outro cara acabou de se aposentar da F-1 e então esperamos pelo “carinha”.  Porque “O cara”, definitivamente, o Vettel não é.

RicaPerrone

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