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Erramos todos

A semana vai terminando, o Flamengo classificado, o Luxemburdo demitido e o Nilmar descartado. Ao final de tudo isso sobra mais uma vez aquela velha discussão sobre a imprensa esportiva.  Somos sérios?

E eu devolvo: Vocês querem isso? Ou a seriedade é vista como “muro”?

Será que depois de 300 anos não deu ainda pra entender que no jornalismo há o que informa, o que comenta, o que narra, o que apresenta e o que prepara? Será que é tão duro ver essa diferença?

Porque pra vocês, torcedores, o bom jornalista virou aquele que “acerta” chutão e não o que informa com a devida cautela?  Porque, neste mundo torto, o bom é aquele que acusa e insinua sem poder provar e o que se mantém falando sobre fatos é o “rabo preso”, “pau mandado”, etc?

Porque vocês não conseguem entender que nem sempre há algo pra ser dito além de: “Eles estão negociando”?

Ontem a imprensa deu o que tinha que dar, talvez da forma errada. Eu não gosto do anuncio final de algo que está por vir. Mas vocês praticamente exigem isso.

Eu não concordo e raramente faço, se é que já fiz, essa coisa de cravar  o que não está fechado. Mas você sabe, confesse… Você não quer a manchete: “Luxemburgo pode ser demitido hoje”.  Você quer “Luxa caiu!”.

Por isso fazemos, por isso você reclama, por isso nos queimamos e por isso estamos discutindo.

O Luxa caiu. Ok! E se na mesa, na hora da demissão, ele diz: “Patricia, me da mais 1 mes pra tentar. Se eu nao conseguir voce me demite sem a multa”, por exemplo, e ela deixa como está?

E aí? O torcedor está errado em dizer que a imprensa errou? Não. Porque ela não ponderou, ela cravou.

E essa necessidade de “cravar”, além do ego e da mania de achar que alguém vai se lembrar amanhã de quem falou primeiro algo que todos estão falando, é exigência do torcedor.

O bom jornalismo, pra mim, é aquele que passa os fatos, não aquele que insinua ou trata denúncias como veredito final.

O bom jornalismo, pra mim, é aquele que noticia as denuncias sobre o Teixeira e espera que sejam julgadas, jamais aquele que fala disso todo dia sem fato novo, pois no meu dicionário isso é perseguição, não notícia.

Quando há uma possibilidade, pra mim, o bom jornalista trata como possibilidade.

Eu já errei muito como jornalista, nem sequer me considero bom nisso. Acho que sou muito melhor comentarista do que um passador de informações.

E sabe porque, caro torcedor, as vezes nós, jornalistas, deliramos atrás de um furo?  Porque hoje não nos separamos mais por qualidade. Eles, os clubes, nos dão todo dia o mesmo material. Seja você muito bom ou muito ruim, volta pra casa quase sempre com a mesma coisa.

Falar com um jogador é quase troca de favores. E se falar, sabemos que não sairá nada muito especial.

A culpa? É minha, sua, dos meus colegas, dos clubes e dos jogadores.

Todos nós deixamos o futebol chato, exigente, detalhista e hipócrita.

Não tem “vitima”nessa.

Então, paremos o chororô e vamos tentar mudar as coisas com atitudes, não com tags no twitter.

Amanhã cobre a situacão do seu técnico, não um bolão entre jornalistas pra ver quem “acerta” mais.

abs,
RicaPerrone 

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