Eu também torço pro meu time, embora o tempo e a vida neste meio escroto do futebol tenha me tirado boa parte da paixão. Eu sei o que a seleção hoje representa – eu entendo a sua birra – mas eu preciso brigar contra a sua lógica.

Sua lógica faz sentido. A CBF comete a barbaridade de desfalcar times no torneio dela mesma numa decisão para enfrentar El Salvador e você portanto tem todo direito de se sentir lesado, afinal, pagou ingressos até aqui para chegar a essa decisão.

O esforço que eu faço e sugiro a você não diz respeito a lógica, mas sim a paixão.

A gente não pode aceitar que um vascaíno deixe de ser Vasco por causa do Eurico. A gente aceita que ele brigue para tirar o Eurico.

Um rubro-negro não pode renegar seu clube por um dirigente ladrão. Idem a um tricolor, um colorado, seja qual for. É como odiar o Brasil por causa de um político. É como aceitá-lo.

A vitória do corrupto é quando não se importam mais que ele seja corrupto. A não briga contra o sistema atual do futebol brasileiro e a “birra” com a seleção e não contra os dirigentes (incluindo o do seu time) é a vitória deles.

Nós assinamos um atestado que abrimos mão de nossas paixões porque sabemos que eles são cheios de esquemas, má vontade e corrupção, e portanto nós não vamos mais brigar.

É nossa maior perda.

A seleção brasileira não tem culpa das burrices cometidas por clubes e CBF em sua gestão inacreditável do futebol brasileiro. Nos também não. Mas ao direcionarmos nosso “ódio” à vítima, que é a camisa da seleção, nós estamos validando o sistema.

Tá errado! Tá muito errado. E eu sei o quanto é foda olhar pra seleção em campo com seu jogador te desfalcando e curtir isso. Mas é o que eles querem.

Quando a gente “nem liga” mais, eles deitam e rolam.

Precisamos resgatar nossa cultura, nosso futebol, nossas torcidas e nossa vontade de brigar contra o que está errado.

É foda? É. Mas é isso ou entregar pra “eles”.

abs,
RicaPerrone