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Dó não gera admiração

“Coisas que só acontecem com o Botafogo”.  “O clube grande que tem a menor receita”.  “O time mais azarado dos grandes”. “Botafoguense é pessimista por vocação”. “Ser botafoguense é sofrer”.

Essas são algumas frases que você já ouviu sobre o Fogão, é claro. Ouviu também outras tantas que o engrandecem, mas são cada vez mais raras, convenhamos.

Eu não vou perder tempo discutindo a derrota. Foi ridículo! É inaceitável. Era a grande chance do Botafogo no ano, já que em pontos corridos time com baixo investimento não tem a menor chance na maioria das vezes.

Mas ela vem seguida de matérias que colocam essa em uma lista. Não é um acaso, é até algo comum.

O Botafogo é cada dia mais simpático. E time simpático não ganha porra nenhuma.  Aliás, é simpático na medida em que vira lenda e não mais pesadelo.

É preciso calma pra refazer as contas e organizar o clube. É óbvio que sim. Mas é preciso ser grande até pra quebrar.  Ninguém vê onde você mora, mas todos veem o carro que você dirige. Então, por mais errado que isso seja, o mundo vai reagir ao seu carro e não a sua casa.

Não chega de Celta numa festa de gente rica querendo entrar na conversa. Vão te excluir. Não cola de bermuda e tênis num jantar de gala, porque vão te ignorar.  Não mete um time de bosta numa camisa pesada, porque vão desconfiar da sua grandeza.

Time grande tem estrela, jogador famoso, perspectiva, revelações valiosas e olha pra título, não pra rebaixamento. Uma vez ou outra, passa. Mas o Botafogo tem olhado nos últimos 20 anos muito mais pra baixo do que pra cima. É uma exceção mirar o título. Nào o contrário.

A pergunta que eu adoro fazer a qualquer dirigente de clube e NUNCA ouvi uma resposta é:  quem é seu time? Qual a característica? Como ele joga? Quais os valores?

Ninguém tem essa resposta. Mas o Botafogo tem, e a resposta é ruim.

“É o time que perde jogos inacreditáveis”. “É o time do azar”. “É o time que tudo dá errado”.

Eu não sou nada religioso. Mas não é uma questão de fé saber  e notar que todo mundo que anda esperando o pior convive com ele. Ser botafoguense parece que é esperar a merda acontecer.

E pior, com razão. Porque realmente acontece.

Um time cabisbaixo por natureza não se mantém grande. Ex-rico não pede esmola, mantém o carrão e finge que tá bem até se recolocar dentro do mundo dele.

Onde o Botafogo vai com esse Corsa usado sem ar e direção?

Tu é rico, grande e vencedor, Fogão. Você pode “estar” pobre. É diferente de ser. Aja como grande, e não perderá seu status jamais.

Se não dá pra chegar mais de Ferrari, aluga no dia do evento e chega de Honda. Mas não buzina essa merda que você dirige hoje pra que vejam sua fragilidade. É burrice. É marketing. É simples.

Já disse outro dia neste mesmo blog: O rico quando passa a gastar 20 e ganha 18, procura um jeito de ganhar mais 2. O pobre economiza 2.  Mas só um deles em 10 anos estará ganhando 50. O outro continuará economizando 2.

É melhor ter 3 jogadores que te façam “Botafogo” do que 15 que te façam passar vergonha.

abs,
RicaPerrone