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Diário de viagem – Grêmio 1×0 Lanus

Fui!

Era 1 da manhã de terça-feira quando eu tomava a saideira no pagode do Arlindinho Cruz na Barra da Tijuca.  Meu despertador tocaria as 4h30 para fazer uma mochila e correr pro aeroporto onde embarcaria as 6 para Porto Alegre.

Duas horas mal dormidas, uma chuvinha fraca, chata, catimbeira, que é pra ja ir se acostumando. E cá estou, no voo da GOL com destino ao fim do planeta.

Tem uns 3 gremistas no meu avião. Os mais nervosos de todo vôo, óbvio.  Ao meu lado um senhor baba enquanto ouve uma música ruim que salta do fone. Na frente uma criança chora, reclama e pergunta de detetives de um prédio azul. Atrás uma senhora lê.  Eu escrevo porque não consigo dormir em avião.

Um gremista falou comigo no aeroporto.  Sujeito estranho. Horas da final da Libertadores ele se aproxima, rindo, como se fosse haver mundo amanhã, e pergunta: “E ai Rica? Vai no Gruta hoje?”.

Porra… quer mandar recado pra mãe? Quem pensa em puteiro em dia de final?

Tô morto. Pareço um zumbi. Mas feliz. As vezes o dia a dia nos faz esquecer que escrever a história a nossa maneira é um privilégio. E é isso que tô indo fazer.

A boa notícia, torcedor gremista, é que aqui em cima, após subir muito além das nuvens, o céu está azul.  É um sinal.  “Eu não consigo mais falar, amor!”

Até já!

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Hotel fofo

Cheguei as 9 no hotel. Tenho compromisso as 13h, logo, preciso dormir. Meu check in é as 14h.  Fudeu pra sempre.

Mas a moça do hotel é uma fofa. Cheguei lá,  cavalinho do Grêmio na entrada, ela de camisa do Grêmio. Eu disse: “Moça, eu vim pro jogo. To muito cansado. Nao dormi. Me deixa entrar antes pra dormir um pouco…”.

  • Bah! Vieste ver o Gremio?  Perai que já te arrumo um quarto!

#MelhorPessoa

Dica de hotel: Hotel Praça da Matriz

Brigado, moça!

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De repente, eles!

Fui a um hotel entregar um documento de trabalho. Lá chegando tinha um grupo de argentinos que era com quem eu ia me encontrar.  Mas para minha surpresa, além deles, havia um elenco inteiro junto.

Sim, eu estava no hotel do Lanus e eles acabavam de almoçar. Estavam todos pelo saguão. E fiquei observando por alguns minutos o time deles.

É “pequeno”.  Time de bairro mesmo, o que aumenta seus méritos, mas que me dá alguma sensação de que o Grêmio precisa se valer disso. Precisa impor a eles a noite quem é quem desde o primeiro lance.  Eles não são um grupo de grandes jogadores esperando mais uma decisão.

É um sonho pra eles. Diferente do Gremio.  Consegui me explicar?

Foda-se, to com pressa. Partiu Arena!

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Resenha

Encontrei o pessoal do Sportv.  O amigo Caio, o colega Sérgio Xavier e os capitães Adilson e William.  Caioba é um ser humano que devia ser estudado.

Sua ofensa mais pesada quando irritado é chamar alguém de “bananão”.  Sério, não é uma piada dele. Ele faz isso de verdade.

E o mais bacana é que em meio a diversos “jornalistas” isenções ali, eu encontrei nos ex jogadores uma coisa mais parecida comigo. Todos eles TORCIAM pro Grêmio sem a menor isenção. Que é o que acredito.

Não vi o Roger, mas vi pelas redes dele que idem. Também torcia, foi no churrasco em volta, se juntou com a galera, enfim.  Viveram um dia de final.

Falta ao nosso jornalismo relembrar o porque amam futebol. Se ainda o amarem.

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É muito mais que esporte

Já entrei, já andei lá fora, já senti o clima das 15h até agora. Os times acabaram de entrar, a bola vai rolar. Eu passei por um cidadão de uns 35 anos, gordo, que chorava muito após os times entrarem em campo.

E a cena é surreal. Mas comum em finais pra quem frequenta.

Seu filho de uns 7 anos o consolava também chorando. Os dois uniformizados da cabeça aos pés, como eu fiz minha infância toda com meu velho, e ali começa a inversão natural da vida. Onde nós cuidamos deles.

Talvez pra alguns seja no estádio. Pra esse menino, certeza. Ele tinha as duas mãos no rosto do pai e dizia algo como “é o grêmio, pai” e choravam.

Eu segurei as lagrimas e sai andando antes que desmontasse ali mesmo.  E eu ainda tenho que discutir sobre se é melhor noticiar o Drone ou ajudar o Gremio a viver essa noite…  #jornalismo

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Euforia no ponto

Eu morro de medo de finais previamente decididas e tinha medo de ver isso na Arena. Não aconteceu. Do momento que cheguei até a saída o gremista tem plena consciência que o jogo é duro não está nada resolvido.

O time, idem. Em momento algum do jogo foi pra cima igual maluco ou parou de tocar a bola de pé em pé.  É maduro. Pode dar errado, mas mesmo que dê, o Grêmio sabe o que está fazendo.

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Efeito barra brava

Eu nunca vou rejeitar a idéia, mas eu acho que posso discordar do conceito.  Entendo ser culturalmente bem próximo do sul e por isso respeito bem mais a identidade portenha deles do que de cariocas.  Mas nos dois casos, eu não vejo efeito tão bom quanto a lenda diz.

Eu gosto da idéia do apoio. Acho incondicional discutível. Mas acho que o jogo todo manter um som ambiente mais cala a sua torcida do que empurra o time.

O som repetido e lento se torna o fundo musical do jogo. Não mexe com o jogo em determinado momento. É um apoio? É! Mas o que mexe no jogo é quando todo mundo levanta e canta uma musica do nada. Não a frequente musica com a batucadinha das barras.

É uma lenda mundial que “torcidas sul-americanas cantam o jogo todo e isso é do caralho”.  Pode até ser. Mas já perguntou pra um jogador se é mais impactante no jogo um som de apoio incondicional o tempo todo ou explosões que eles sabem não ser a regra do apoio e sim um ato de real empolgado?

Eu já.

Respeito ambas. Mas não tenho esse encanto que o brasileiro tem por “cantar os 90 minutos”.  Eu prefiro torcidas que reajam mais vezes só que não por acordo. Mas por real empolgação e tentativa de interferir na partida.

Enfim.

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A volta

Chego no aeroporto, Tite no meu voo.  Fudeu. Se cair morro com uma nota no rodapé da notícia: “Blogueiro também estava no voo”.

Que falta de dignidade. Tantos seguidores, anos de luta para estar na lista de passageiros? Porra, Tite!

Mas relaxa. Não caiu. Vai ter hexa, e vai ter tri.

Até Buenos Aires!

abs,
RicaPerrone