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Gol, o detalhe

O gol. Para alguns, a razão de ser do futebol. Para outros, um detalhe.

Impossível concordar com Parreira em sua frase mais marcante: “O gol é um detalhe”. Nunca foi, nunca será.

Há exceções, como hoje, naquele lotado Morumbi.

Havia Tricolor em campo, casa cheia, uma noite sem muito calor, adversário internacional, drama, mata-mata, vaga na final.

Reencontro apaixonado de um time com sua torcida num momento de decisão de fato. Os orgasmos homeopáticos dos pontos corridos ficaram pra história, mas em momento algum marcaram a história.

Marcante é o gol que Luis Fabiano não fez, ou o que Jadson jogou pra cima.  Marcante é aquele goleiro na área do Rogério tentando fazer um milagre enquanto milhares de torcedores fechavam os olhos para não ver o que pagaram pra ver.

Marcante poderia ser um dos gols perdidos, os  gols a classificação que não aconteceram. Um erro, um frango, um segundo de descuido para registro emblemático do triunfo.

Não, hoje não.

Era um todo. Não havia destaque, palhaço, Leão, atração alguma maior do que o circo em si.

O Morumbi lotado, o São Paulo de branco, o rival tremendo de medo, a América do Sul aos seus pés.

Aos pontapés tentaram nos parar. Não conseguiram.

Na bola, nem tentaram. Era impossível.

Ao final do jogo sem gols, uma enorme torcida com pressa para sair e não pegar transito, ficou.

Ficou pra aplaudir, pra ver, viver e contar.  Ficou pra tirar a camisa e rodar bem alto dizendo ao mundo que “o campeão voltou”.

Voltou porra nenhuma, sequer saiu.  Sempre esteve ali.

E naquele Morumbi lotado, cheio de paixão e sofrimento, o gol foi só um detalhe.

Tão insignificante que nem aconteceu. E nem precisava.

abs,
RicaPerrone

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