Em 2011 rolou uma baita polêmica em cima de mim por causa do Vôlei, onde um jogador foi chamado de viado pela torcida e, ao assumir DEPOIS do jogo, disse ter sido alvo de homofobia.

Na minha intepretação, não. Pois não sabiam que ele era gay. Assim como no futebol, considerei apenas um ato coletivo de estádio, só pra desequilibrar o adversário sem nenhum outro fim. Mas, discordar de ong é foda, passei 2 dias sendo ofendido e agredido pelos intolerantes que pedem tolerância.

Agora é a vez do racismo, de novo no Vôlei, de novo em Minas, e cá estou, de novo, pra dizer o que acho.

Tem algum deputado que se elegeu por ser negro? Espero que não. Na última vez um ex-BBB com grife saiu dando RT sem ler enquanto devia estar trabalhando. Mas, enfim.

Assim como no primeiro caso, não vou nem discutir se é certo ou não ofender alguém. Essa discussão é óbvia, vazia, absolutamente repetitiva.

A questão mais interessante de se ponderar, de novo, é o “porque” disso.

E não, não me espanta.  Você, torcedor de futebol, acostumado a ir no estádio, sabe que o “macaco”, “viado”, “nordestino”, “gaucho”, entre outros termos que “diferenciam”, são mais comuns do que arremesso lateral.

Mas, de novo, é bom lembrar, que quem não frequenta estes ambientes não sabe. E pra eles, é novidade. Sendo novidade, havendo um intelectual louco pra discursar, vira a polêmica do ano.

Haverá debate pra isso por 2 meses. Mas é tão fácil detectar o que está acontecendo e notar a “falta de maldade” na coisa que se torna uma discussão vazia.

O Vôlei está ganhando um espaço que nunca teve. Está ganhando camera de TV, reporter, cobertura, torcida, mídia. E ao ganhar, num ginásio, as reações de um estádio são multiplicadas por 100 mil.

Um “seu macaco do caralho” no Maracanã acontece 100 vezes por jogo. Um desses no Volei é uma vez só e já deu problema.

Porque? Porque o jogador ouviu. Porque a imprensa ouviu. E porque não necessariamente quem gosta de Vôlei gosta de futebol. Então, não acostumado com o ambiente de estádio, se assusta.

Eu não sou maluco em dizer que “está certo”, é claro que não está. Pro simples causador de polêmica “O Rica está defendendo o torcedor que chamou o cara de macaco”. Mas eu respondo pelo que escrevo, não pelo que você lê.

Entre estar errado e haver uma má intenção racista de fato há um abismo num estádio. E agora, nos ginásios, as pessoas não tem notado a diferença e as vezes, talvez por habito ou instinto, repitam achando que ninguém vai ouvir em meio a multidão.

No vôlei ofende. No estádio o cara não ouve, ele não sente aquilo. Talvez se ouvisse já teríamos tido a discussão antes. Mas também é um pouco de intolerância querer crucificar um ou outro sujeito que age num ginásio como age num estádio em meio a 100 anos dessa cultura.

Acho necessária a discussão, desde que ela não seja feita nem entre intelectuais Zé Ongs loucos pra condenar o mundo, nem racistas doentes que acham que negro é macaco.

O porque? Simples, por hábito, por bobagem, por não saber a diferença entre um estádio e um ginásio.

Tá certo? Não. Mas não é certo pegar um caso e meter nas costas dele algo que acontece toda semana.

É racismo? É. Mas nao acredito na intenção racista.  O Paulo Nunes foi a vida toda um “loirinho viado!”, e o Jr. Baiano, quando errava, era o “Negão filho da puta”.

Nunca foi com um fim racista. E eu sei que não vou convencer os revolucionarios virtuais, pois sei que pra ser um é preciso jamais ter vivido a vida como ela é, mas sim como ela “deveria ser” em sua mente corretinha.

É preciso mudar a cultura, talvez. O que não é preciso é fazer de um fato comum uma polêmica nacional só porque a câmera pegou.

Aí sim, se torna hipocrisia.

Ou você já foi a um estádio e passou 90 minutos sem ouvir um “macaco”, “viado”, “favelado” e “paraíba”?

É cultural, e como bons intelectuais que são, os mesmos que toleram crimes em virtude da infância pobre e sofrida, devem relevar.

Ou não?

Não, é claro que não.

O pau voa no Chico, não no Francisco.

Nos próximos dias, aulas de como ‘torcer’ e um vilão para pagar por 100 anos de um hábito. É assim que “resolvemos” nossas diferenças.

Ou não, afinal, não faz nem um ano… lembra?

É preciso adaptar o torcedor ao Vôlei, não a sociedade ao fato de ter uma camera ligada.

abs,
RicaPerrone