As pessoas pedem mais educação. Pedem informação, uma nova era. Exigem mil comportamentos que não tem, se fazem de paladinos da moral e reagem como traficantes perigosos.

Quem mata pra dar exemplo é bandido. Os ideais de um mundo melhor educam, não enforcam em praça pública. A não ser quando o grupo que se apoderou dos ofendidos é quem determina a pena. Aí…

Não se muda uma cultura do dia pra noite. E se pra muda-la for preciso escolher a dedo 3 ou 4 e enforcar publicamente para gerar medo e “reeducar”, então temos dois problemas e não mais apenas o primeiro.

Domingo o Morumbi cantou por 90 minutos que o goleiro do Corinthians era “bicha” quando batia o tiro de meta. Vamos ignorar aqui se é certo ou errado, ok? Foca na hipocrisia e na forma de se mudar o comportamento.

Passam 3 dias e os mesmos caras querem ser os ofendidos por homofobia? Não, não rola. Desde que a bola rola todo mundo faz isso com o hino adversário, eu cresci ouvindo “o tricolor time de viado”, cansei de cantar sobre os meus rivais e isso sempre fez parte de uma cultura.

“Ah mas a cultura tem que mudar!”

Opa! Chegamos onde eu queria. E aí pra mudar um comportamento em massa, cultural e de décadas você escolhe um e faz ele pagar pelo hábito de todos?

Não, não pode ser. Você não pode ser filho da puta a essa ponto para parecer uma boa pessoa.

O Zé Mayer não pode pagar pelo machismo do mundo. O Arana não pode pagar por uma brincadeira que TODO mundo faz só porque “é hora de mudar”.

Então que seja hora. Mas que sejam educados, razoáveis, tolerantes e inteligentes como se dizem. Pois destruir um pra dar exemplo é coisa de covarde, não de quem quer mudar o mundo.

99% dos jornalistas com cara de assustados na tv hoje com a musiquinha já cantaram ou cantam.  E você tá comprando o show que tem como única finalidade encontrar um vilão para midiaticamente publicar seu enforcamento e ter sua audiência.

Trouxa.

Tudo que mudou de verdade mudou num processo lento e com etapas. O que foi feito no grito não mudou, só foi censurado.

A causa é justa. A forma é tão covarde quanto a suposta “agressão” inicial.

Arana não fez nada que o mundo não faça. Então pode até usar o cara pra discutir o comportamento, mas seja menos covarde e use “nós” e não “o Arana”.  Porque sim, somos farinha d0 mesmo saco.

E mesmo se não formos a mesma farinha, estamos no mesmo saco.

RicaPerrone

Compartilhe!
  • 239
    Shares