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Contra tudo e todos!

Acho futebol a coisa mais “do caralho” já inventada. A capacidade que este esporte tem em transformar pessoas e criar ambientes é fascinante.

Não me refiro apenas aos cruzeirenses em 2013. O Galo de 2012 foi mesma coisa, o SPFC de 2008, o Flu de 2012 e assim por diante.

Na falta de adversários suficientes para transformar a conquista em algo épico, criamos mais alguns.

É que não pode ser fácil. É cultural. No Brasil, ou você acorda as 7 e trabalha igual um condenado pra chegar morto a noite em casa, ou não merece aplausos.

Adoramos o conceito de Gado. Temos que nos foder. Porque se não “for foda”, “fodeu”.

E que tipo de dificuldade incrível há num campeonato de pontos corridos que não determina com clareza quem e quando você o decide? Não existe o gol do título, o herói, o jogo. Existe uma história a ser contada em doses homeopaticas.

Quantas já assisti. E todas se parecem.

Se o Botafogo não pode mais transformar a conquista do Cruzeiro em fantástica pela distância, então que venha a mídia do eixo, a arbitragem, o azar, ou seja “tudo e todos”.

Tem alguma coisa que deixe o torcedor mais feliz do que dizer pra ele que ele está lutando “contra tudo e contra todos”?

Não. É perfeito. Brilhante. Quem criou isso no futebol é um gênio. O sujeito gruda no time, briga POR ELE e não mais COM ele. E então, empurra. Empurrado, vai ao longe. E lá, de longe, não pode olhar pra trás e ver um caminho sem pedras.

Então, eles mesmo joga pedras enquanto passa para o cenário ficar mais tenebroso.

Em 2008, quando diziam que o SPFC tinha 1% de chance, foi tudo que o clube precisou para unir torcida e time em torno de uma “possível reviravolta calando os matemáticos”.

Matemáticos? Porra, não era contra Inter, Santos, Palmeiras e Flamengo?

O Galo que é perseguido pela CBF, o Flu que disputou contra a “FlaPress”, já que os rivais já tinham perdido. Entre tantos outros.

Agora é a vez do Cruzeiro. O Botafogo já foi. Sobrou ninguém.

Um vazio horrível na vida de quem está esperando glória. Então, criamos. E vamos lá, mesmo sendo o mais simpático dos grandes, talvez o menor gerador de rejeição entre eles, criar um ambiente de guerra onde “todos queiram nos destruir”.

Hum… não é o caso. Mas se for pra ficar mais saborosa a conquista, acredite nisso. É genial.

Contra tudo e todos, Cruzeirão! Doa a quem doer. Aliás, notaram que ninguém de azul ganha o Brasileirão há 10 anos, justamente quando o Cruzeiro atropelou geral em 2003?

Pois é! Então, que assim seja! Contra o eixo, o juiz, a mídia, a planejada e a Azulfobia! Vai, Cruzeiro!!!

abs,
RicaPerrone