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Construindo um campeão

Eu estava guardando esse texto pra usar quinta, onde se tudo der certo o Colorado trará mais uma Libertadores pro Brasil, pois entendo ser um caso semelhante. Mas, como eu mesmo digo que resultado não é tudo no futebol, vou usa-lo antes de ver o Flu campeão, pois nem sei se será.

Mas, campeão ou não, páginas históricas foram escritas recentemente e que tem muito valor, mesmo que para alguns só valha o caneco.

Quem tirará da cabeça de um tricolor a Copa do Brasil 2007, a Libertadores 2008, o Brasileiro 2009 e a Sulamericana? Quem vai apagar o sentimento orgulhoso de ser líder do Brasileirão, de ter montado o melhor time do país, de estar enchendo o Maracanã e sendo protagonista do futebol brasileiro?

Tudo isso, como sempre repito, é que importa no futebol. Ganhar, perder… é do jogo. Ganhar sempre se torna chato, perder sempre só aumenta a alegria de vencer.

A sequencia de vitórias gera comodismo, a ausência delas gera euforia.

E não, eu não gosto de perder. Mas, reconheçamos, um título é mais saboroso quando raro. A intensidade da paixão está nisso, e hoje o Fluminense colhe o que plantou nos últimos anos.

O SPFC não foi campeão de tudo em 2005. Ele começou a ser campeão em 2003.

O Flamengo não achou o hexa. Ele construiu a partir de 2006.

O Inter não achou essa final. Ele vem beliscando e tentando acertar há alguns anos.

Assim como o Corinthians não achou o semestre de 2009, nem a Espanha deu sorte na Copa.

Acontece, mas não é o caso.

O Fluminense cresce nitidamente a cada ano. Mesmo que as vezes no campo isso não fique claro, é importante olhar além do placar do jogo.

Xerém funciona, o time investe em craques, a torcida sofre e comemora há anos, mas anda mais apaixonada. Logo, vende.

O Flu não é mais um coadjuvante, como lamentavelmente foi por alguns anos de vacas magras. Mas e dai? Quem é que nunca viveu essa fase?

Hoje, ou melhor, desde 2006, a capa dos jornais tem sempre que reservas espaço pro Tricolor. Seja pra não cair heroicamente, seja pra conquistar o Brasil. Seja pra disputar uma final incrível, seja pra trazer um grande jogador.

Assim devem se portar os times grandes. Perdendo, ganhando, mas acima de tudo sendo protagonista. E isso tudo, notem, sem abrir mão de jogar futebol.

Pode ser, e até acho que vá acontecer, do Flu se tornar um time mais medroso e pragmático. É estilo do seu treinador, que neste caso respeito. Afinal, é um caso de um clube grande que PRECISA de um grande titulo, a qualquer custo. Diferente da situação no SPFC, onde nada justificava um futebol tão covarde.

Lá, nas Laranjeiras, é prioridade selar a fase com um caneco. Assim sendo, é válida a tentativa de ganhar sem que o futebol seja bonito, se é que deixará de ser. Por hora, tudo ok. O Flu se defende quando precisa, ataca quando precisa, não dá show, mas vence com futebol bem longe daquele horror que era em SP e Palmeiras, implantado pelo professor Muricy.

O Flu tem funcionado. Falta estrutura, falta administração de grana, falta coisa pra cacete. Como falta a todos os clubes brasileiros, seja ele o campeão ou o lanterna. Aqui, tudo é amador e na base do “amigo do filho do diretor”. Mas, dentro deste cenário, o Flu colhe o que planta.

Se levar, ótimo. Se não levar, mesmo triste, o torcedor saberá que viveu uma grande história. E futebol, pra mim, é isso.

Me recordo de derrotas memoraveis do meu time, mas as vezes não me lembro de titulos sem graça. Me lembro quando chorei tanto quanto de quando sorri no estádio. O que não me lembro são dos anos onde não fiz nenhum dos dois.

Após Copa do Brasil vitoriosa, Brasileiros alternando boas e más campanhas, uma Libertadores épica, uma Sulamericana cheia de história e um final de Brasileirão digno de filme, o Fluzão segue protagonista em 2010.

O que vai ser, não sei. Mas que já valeu a pena, já valeu.

abs,
RicaPerrone

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