Estou vendo pessoas revoltadas com o fato de muitos preconceituosos terem saído do armário e estarem dizendo o que pensam na internet. Destilando ódio que antes ficava encubado. E eu lhes digo sem a menor dúvida: que bom que estão falando!

E aí você pensa: “você está maluco, Rica? Acha legal o cara ser racista, homofóbico publicamente?”.

Entre ele ser abertamente ou censurado, prefiro que seja aberto e que nos dê a chance de educa-lo. E se eventualmente alguma minoria oprimida não oportunista enxergar no silêncio a paz, é mera migalha.

De absolutamente nada vale a censura ao preconceito. A luta é para que ele seja revertido, não escondido. Menos ainda que seja aumentado em cativeiro.

Toda vez que você diz pra um racista que ele não pode ser racista ele se torna ainda mais. Não expõe, mas dentro dele só aumenta o sentimento ruim e equivocado que, por não ser exposto, jamais será corrigido.

Eu já fui homofóbico como qualquer pessoas com 40 anos foi. Quando eu era moleque era regra que ser gay era ruim. Eu só deixei de ser porque nunca fiz tipo de que não era. E então fui sendo educado pela vida, por pessoas, por erros e pelo tempo.

Acho que há um exagero, uma galera oportunista que usa as minorias para se promover.  Piada é piada, preconceito é instinto, menosprezo e discriminação não são legais.

Você jamais conseguirá tirar do ser humano o preconceito. Até porque se ele fosse um problema tão grave você condenaria quando ele lhe convém, e obviamente não o faz.  Quando alguém te trata bem sorrindo porque você é brasileiro você não diz “deixa de ser preconceituoso! Acha que só porque sou brasileiro eu sou alegre e feliz?”.

Porque esse preconceito não te incomoda. Portanto, o que incomoda é discriminação e menosprezo. O preconceito, não. Você tem mil preconceitos, eu também. E teremos até o último dia da nossa vida.  É instintivo você passar por 5 japoneses, ser agredido por todos eles e no sexto esperar outra agressão, mesmo que se trate de um japonês fofo nesse caso.

Deixemos de ser hipócritas.

Reeducar dá trabalho. Apontar o dedo, nenhum. A boa minoria quer respeito, não silêncio. O gay quer ser igual, não que você esconda a boca pra dizer “viado do caralho”.  O problema está no que você pensa, não no que você diz.

Pouco me importa se você ficar mudo pensando “gordo de merda” quando eu passar. Eu prefiro que você diga, que alguém do seu lado te corrija e que você mude o que pensa, não o que diz.

A mudança que precisamos está na forma de pensar. O que falamos ou não é mera consequência do que pensamos. Nunca o contrário.

Deixe que digam. Não se preocupe, é a maior chance que temos de mudar.

abs,
RicaPerrone

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