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Beijo, me liga!

Ei, você ai! Secou? Disseram que ela não chegava, ela chegou.  Disseram que era pífia, e ela ainda não vacilou.

“Eu vou torcer pro Uruguai, pois a Copa é uma vergonha!”

A CBF? “Aff….”

Ô missão dura manter discurso quando se nega uma raiz.  Negar a seleção é mais do que trair um time de futebol, mas sim os seus amigos e compatriotas que com ela ainda se importam, e muito.

Não é por Neymar, CBF, Marin, Globo, Galvão, nem por 20 centavos. É por nós todos, pelo garotinho que corre com a bandeira podendo ser feliz naquela tarde. Pela turma que se reuniu, pela cerveja que compramos pra juntar gente.

Seleção é pretexto de brasilidade, união, fé, alegria. Se bem ou mal acompanhada, pouco importa. É ainda a mais comovente forma de juntar massas no país.

O gol do  Neymar te incomoda por representar o “circo” do povo. Mas me incomodaria ainda mais viver sem o pão, sem o circo e sem o resto.

Para ter todo o resto não preciso abrir mão do circo. Posso continuar com ele e brigar pelo que importa.

Futebol não importa.

Mentira, importa sim.

Pra caralho.

Ou um garotinho abraçado a seu pai vestindo pela primeira vez a camisa do seu país e cantando o hino cheio de orgulho não diz nada?

Diz. Diz que você é chato, amargo, azedo, quase infeliz.

Torce contra. Faz discurso. Corre no facebook e fala que “da Espanha não passa”.

Se passar, fala em sorte. Se não passar, em “eu avisei”.

Nós, torcedores normais e não revolucionarios de causas virtuais mal elaboradas vamos torcer com medo da derrota e fé na vitória, como tem que ser.

Cegamente, como a paixão ordena.

E eu deveria fazer um discurso preparatório pra uma derrota, afinal, tá cheio de gente lendo aqui desde o primeiro jogo louco pra ver perder e me mandar “chupar”.

A disputa interna entre ser feliz e ter razão, quase sempre pendendo pra segunda opção.

Pois eu quero sim ter razão e esfregar na cara de muito torcedor traíra que ganhamos e somos ainda os donos do futebol. Mas sei do risco, não negarei.

Medo? Do mesmo tamanho da confiança.

Querem a Espanha, e eu até quero pra poder debochar. Mas prefiro a Itália pra poder guardar.

Dormir eliminado hoje me daria o direito de isenção no domingo.  Classificado, finalista e um dos poucos que acredita na seleção e torce por ela incondicionalmente, dormirei ansioso e com medo.

Da Espanha, do que pode representar um massacre da imprensa sobre o time agora, e do que pode piorar na relação entre o mundinho virtual onde “ninguém liga” e o real, onde “só se fala nisso”.

Mas durmo orgulhoso. Sei que não temos mais o mesmo futebol, pois o futebol não tem mais o mesmo futebol.

Mas sei que a minha seleção não passa 4 anos goleando amistosos pra perder torneios oficiais. Ela passa os anos em dúvida, pra te dar certeza quando de fato precisa.

Estamos na final.

Pra torcida brasileira, aquele abraço.

Pra quem torceu contra a seleção, este beijo.

 

abs,
RicaPerrone

 

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