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Aula cruzmaltina

Nos últimos anos o futebol brasileiro desenvolveu uma adoração pouco justificável pela Libertadores. Ela é o maior torneio das Américas, óbvio, mas a “loucura” por ela nunca foi como hoje. E é curioso notar que, quando fortes, os sulamericanos nunca foram alvo. Agora, falidos, se tornaram parte do “super-mega-hiper campeonato” que todo brasileiro quer ganhar.

O campeão não é mais campeão. Aqui, hoje, se disputa vaga, não títulos. Até que surge um Vasco e começa a colocar ordem no galinheiro.

Vai chegar o dia que ao invés de uma taça o campeão de alguma coisa por aqui vai ganhar um passaporte. Ô doença chata essa coisa de Libertadores.

Eu sei, também quero, não sou louco. Mas calma aí… “Vaga” é só “vaga”.

Não se comemora mais uma vaga do que um título. Até porque, convenhamos, a “vaga” não quer dizer porcaria nenhuma.

Você é campeão do Brasil e, como prêmio EXTRA (não maior que o título em si) você ganha direito de jogar a Libertadores. É só isso. E já inverteram.

Hoje você ganha vaga na Libertadores. Aí tem uma tacinha lá também e vamo que vamo…

Burrice. E parece contagiosa.

Raros clubes entenderam que cada torneio é um torneio e que estar em um não significa “ignorar” o que leva até lá. O futebol busca títulos, não vagas.

Ou, se discorda, diga lá pro seu neto daqui 40 anos: “Olha, título mesmo a gente não tem. Mas vou te contar cada vaga na Libertadores que “conquistamos”.”

E eis que, em 2011, surge o Vasco.

Gigante pela própria natureza, atinge um status que não atingia há alguns anos. Volta ao topo, brilha, vira protagonista e desde cedo, pela Copa do Brasil, garante seu 2012.

O que faz no restante de 2011? “Planeja a Libertadores”, como dizem alguns entendidos?  Treina pra Libertadores?

Ignorando a quase regra atual, ele resolve brigar pelo título brasileiro. Não porque “precise dele” pra ir a Libertadores, mas porque o instinto natural de todo grande clube é estar buscando o topo.

E se não é assim, não está sendo gigante.

O título Brasileiro vale umas 40 vezes mais do que “vaga” na Libertadores. A maioria, porém, não entendeu até hoje que convite pra balada não te dá direito a sair de lá com a mais gostosa das mulheres.

Para sair com ela é preciso conquistá-la. Ou seja, entrar na balada é uma etapa quase irrelevante da conquista.

Fundamental, mas que não merece comemorações.

O Vasco surpreende por não cair na bobagem moderna. Por não ser “mais um” a cumprir tabela enquanto espera uma chance de ser maior ainda.

O Vasco está se recusando a usar sua “gordura” como argumento para relaxar. Corre, e muito, porque quer e porque enxerga uma possibilidade real de esclarecer que a Copa do Brasil não foi um acaso.

Lá se vai quase um turno e o Vasco ali, brigando.

E se nada der certo, tudo bem.  Cabe ao gigante o papel de protagonista, mesmo se o filme for ruim.

E gigante, o Vasco se porta como tal.

abs,
RicaPerrone 

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