Já vi algumas gerações surgirem e sumirem. Já me frustrei com diversos jogadores e me surpreendi com outros tantos. Simples: são seres humanos, não os conhecemos e por mais que possamos identificar talento não temos como prever a condução do processo.

Alguns encantam pela estrela, outros pela técnica. Alguns pela postura. Alguns pela forma com que decidem jogos.

Esse menino do Fluminense me assusta.

Ele decide jogos, faz gols com frieza e vibra como quem se importa. É um misto de jogador frio com jogador “nosso”.  Ele tenta. Erra e acerta, mas é suficientemente capaz de tentar uma bicicleta aos 52 minutos do segundo tempo, perdendo o jogo.

Se ele mete pra cima iam dizer que virou estrela e tentou o golaço. Meteu lá dentro, merece o “genio!”.

Riscos são pra quem não aceita a mesmice. Craques correm riscos. Não há um craque na história do futebol que fizesse apenas o mais provável.

O Fluminense é um clube improvável. Suas reviravoltas são incríveis, suas histórias incomuns.

Perderam o maior dos seus noves. Surgiu Pedro.

Quando o medo de perde-lo veio a tona, outro Pedro apareceu. Ainda melhor, e já vendido.

A vida parece brincar com os medos. Se não queriam perde-lo, aqui está um “perdido”. Só que é ainda melhor, talvez pra tu aprender a valorizar quando tem.

Vide Fred, que foi empurrado pra fora do clube e abriu espaço, sem querer, sem merecer, pra que duas jóias salvassem as finanças do clube a curto prazo.

O futebol é cruel. Mas as vezes parece roteirizado pra nos apaixonar.

Tanto que na óbvia consagração de João Pedro ele perde o pênalti e a vaga. Porque é isso que faz o futebol toda vez que temos uma certeza: a destrói.

E por isso, só por isso, não vou dizer ter certeza que esse menino é um fora de série. Porque vai que o futebol me ouve e…

RicaPerrone

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