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Uruguaios e brasileiros

O que  Uruguai ganhou hoje é aquele torneio que quando você ganha, não vale nada. Quando ganha o outro, é sensacional.  Mas, em casos extremos, como na seca que andava a Celeste, se tornou importante.  Não vejo relação alguma nas boas campanhas da seleção com o Peñarol na final. Há quem veja.

De qualquer forma, não vou entrar no papo do dia que é exaltar o futebol do Uruguai. Vou pra outro lado que me chamou atenção.

Nós somos muito diferentes. Argentinos se acham os europeus das Américas e não são, na verdade, porcaria nenhuma.

Uruguaios tem seu orgulho ferido, amam seu pais, mas aceitam sua atual dificuldade.

E nós somos o melhor dos três, mas que só criticamos e odiamos tudo que é nosso.

É a arrogância mentirosa, a comovente humildade e a burrice do auto-menosprezo.

Tão diferentes e tão apaixonados pela mesma coisa.

O Brasil deita e rola no futebol. Nós perdemos essa Copa América, perdemos Copa, etc. Mas num geral, se reclamarmos da seleção nos últimos 20 anos estamos sendo no mínimo ingratos.

Argentinos, ao contrário, apoiam aquela seleção tosca deles que há 20 anos não faz nada. Que vive do Maradona e de um goleiro comprado até hoje. E não se envergonham dela.

Uruguaios vivem de passado. Sabem sua limitação e, daquele jeito deles, lutam. Não agridem, não menosprezam, apenas lutam.

E quando ganham, levam com eles a simpatia de todos.

Nós perdemos uma Copa no Maracanã e não os odiamos.  Somos rivais, só.

Perdemos pouca coisa pra argentina e, no entanto….

É a tal postura. Como o mundo todo adora o Brasil, já que nem o maior odiador desta pátria conseguiria falar tão mal daqui quanto nós mesmos. Logo, não há rivalidade.

Hoje eu não me espantei com a festa, o orgulho deles, nem a imprensa deles comemorando. Lá, ao contrário daqui, eles abraçam a causa e colocam o país e a bandeira acima da vaidade jornalistica de ter ou não o direito de passar algo na tv.

Mas o que mais me deixou espantado e de certo modo até emocionado foi ver Lugano e Abreu lembrando os seus clubes brasileiros na festa.

Porque? Pra quem?  Pra fazer média com quem? A Copa América nem é aqui.

É verdadeiro. Eles carregam uma coisa que aqui é um tanto quanto esquecida na criação dos nossos filhos chamada “gratidão”.

Abreu com a bandeira do Fogão foi algo que me fez feliz. Não porque represente algo pro Brasil, não sejamos tolos.

Mas porque representa pra milhões de botafoguenses saber que, num momento de glória PESSOAL, o ídolo não esqueceu deles e de quem o ajudou a estar lá.

Eu repito. Ele não precisava fazer essa média na argentina.

Lugano mesma coisa. Sempre lembrando o São Paulo, sem fazer qualquer tipo de menosprezo aos rivais do São Paulo.

Não é o ídolo bobão que quer aparecer chutando rival, dando uma de engraçado ou fazedor de média.

Ele só quer dividir, agradecer.

E por estes dois caras eu fico especialmente feliz com o título do Uruguai.

Um país que não tem grandes jogadores, que não tem do que se orgulhar recentemente no futebol, mas…  que quando em campo, recebe apoio e não pedras dos seus.

Que tal seguirmos o exemplo?

Parabéns a legítima segunda força das Américas!

Aquele que ganhou tanto quanto “a outra”, que tem mais Copa América e que quando campeão do mundo não foi no apito.

abs,
RicaPerrone