A maior parte das coisas que acredito na vida vão de encontro com a liberdade, a responsabilidade e as consequências individuais pelo que se faz.

Por exemplo, sou a favor de legalização de drogas e armas. E que se você fizer mau uso de uma delas, seja exemplarmente punido. O problema não está em ter opções para se fazer merda, mas sim na certeza que se fizer dá pra dar um jeitinho.

A concentração é um tabu no futebol brasileiro que tem razoável razão de ser. Num país onde reina a impunidade, onde culturalmente se tenta levar vantagem e onde o profissional do futebol é geralmente uma celebridade sem limites, preparo e noção da vida, é aceitável a idéia de prende-lo por prevenção.

Mas embora aceitável é uma jaula. Você prende mas não educa. Apenas impede o erro, não corrige.

O jogador de futebol, como todos nós, agirá conforme for tratado. Se tratado feito um imbecil, provavelmente será. Se tratado feito adulto, nem sempre. Mas as chances aumentam.

Nós vivemos num país que escolhe até o quanto vamos guardar pra quando nos aposentarmos, o quanto vai render e se sugerimos que isso passe a se tornar uma escolha individual é tratado como “fim de um direito”. Não é preciso ir longe pra entender a mentalidade mediocre do brasileiro.

E o futebol é apenas reflexo. Ao dizer pro jogador “você não pode sair”, você evita que ele faça bobagem. Mas diz pra ele que o reconhece como um imbecil sem controle das próprias ações e ainda assim o paga muito bem pra isso.

Logo, está dado o recado: Não precisa crescer. Se você fizer merda a culpa será minha que não te impedi. Esse é o Brasil de cabo a rabo.

Abel está flexibilizando a concentração no Flamengo. E isso é um passo maravilhoso, embora arriscado quando avaliado por uma imprensa naturalmente adepta as coleiras e não ao bom adestramento.

É melhor segurar um maluco do que empurrar um imbecil. É fato.  Mas neste caso não se trata de maluco, apenas de imbecil. Porque se em 2019, com mil cameras nas mãos de todas as pessoas do mundo, você sair na noite anterior ao jogo e beber ou ficar até tarde, você não é maluco. É imbecil mesmo.

RicaPerrone

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