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Vira-latas

Sim, Nélson tinha razão.  Sua mais brilhante visão sobre o nosso dia-a-dia foi quando registrou com o termo “vira-latas” aquilo que nos faz ser quem e o que somos.

Basta 5 minutos de um novo dia para ler ou ouvir alguém dizer “que este país é uma merda”.  E eu, pacheco, digo que não.  Mas não porque eu discorde, e sim por entender que não se mudará nada com rebeldia, mas sim com orgulho.

Orgulho de quê? Ora, de mim, de você, dos seus. Se por um país você não pode se orgulhar, por você, no mínimo, dá pra tentar. E não adianta fazer discurso, fingir ser o que fingimos no facebook todos os dias. O Brasil somos nós, e nós somos o Brasil.

Hoje anunciaram que as Olímpiadas custarão quase o dobro do que foi dito inicialmente.  E sim, isso me revolta. Como deixa qualquer pessoa que tem medo de ser assaltado a cada esquina puta da vida. Ou aquele que não consegue um leito no hospital, talvez uma escola pra filha.

Mas e aí?

Sabe o que nós vamos fazer? Porra nenhuma. Vamos reclamar no facebook e só vamos sair de casa para tentar algo quando os gringos estiverem aqui pra noticiar.  Nós somos verdadeiras vadias que apanham do marido e só gritam quando os vizinhos podem ouvir.  Não queremos parar de apanhar, mas sim que tenham pena de nós.

Até porque, sabemos, no fundo no fundo, que merecemos alguns dos tapas que levamos.  Já falei uma vez, não vou me alongar em dizer que quem tem amigos de carteirinha de estudante falsa ou gato da net não pode achar absurdo que um político não denuncie o colega pelo mensalão. Afinal, eles te representam.

Somos como eles. Porque eles são eleitos por nós.

“Não generalize!”.  Generalizo, pelo simples fato de que não há outra forma de falar sobre grandes nações.  É absolutamente óbvio que não são todos. Mas é tão óbvio que vai sempre ter gente contestando. O que comprova, de fato, que “não são todos” que podem entender.

Então por eles, por nós e por princípios, eu lhes pergunto:  Porque não agora? Porque eu preciso ver as Olímpiadas prontas, ser roubado para, enfim, reclamar da segurança?  Porque não quero evitar o roubo?

Porque sempre pros outros?

Faz 500 anos que temos vergonha do que somos, de onde vivemos e de tudo que é nosso.  Basta um arroto em ingles para ser mais imponente que uma poesia em nossa lingua.  Mas adiantou alguma coisa?

Que tal mudar a estratégia? Tratar o nosso país com amor e orgulho e não como caso perdido.

Afinal, se é um caso perdido, perdemos todos. E eu não gosto de perder.

Não vamos mudar nada com revolta, gritaria, hipocrisia e menos ainda com alarde pra gringo. Vamos mudar com orgulho. Quando e se um dia tivermos.

Mas se nem o pouco que temos sabemos valorizar, porque vamos lutar pelo resto se “ser nosso”, pra maioria de nós, significa “ser uma merda”?

A hora é agora. Em 2016 é hipocrisia.

abs,
RicaPerrone

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